Rota das Cantinas Históricas, em Bento Gonçalves (RS)

Pôr do sol na Vinícola Estrelas do Brasil

Pôr do sol na Vinícola Estrelas do Brasil. Foto: Kelly Pelisser

A Rota das Cantinas Históricas, no distrito de Faria Lemos, em Bento Gonçalves, oferece aquele turismo low-profile, sabe? As visitas, agendadas na maioria dos empreendimentos, são conduzidas pelo dono da casa, e por isso, mesmo não seguem aquele padrão dos pacotes turísticos embaladinhos.

A proposta é bem diferente do consagrado roteiro enoturístico do Vale dos Vinhedos, consolidado há tempos, ancorado por grandes empreendimentos. Em Faria Lemos, o que se faz é turismo de experiência. Parece que você adentra outro mundo, mas ali, pertinho: os empreendimentos ficam ao longo da RS-431, a estrada que corta o distrito, a cerca de 12 quilômetros do Centro de Bento.

Armazém das Cantinas Históricas

Há venda de artesanato, vinhos e produtos locais, além de servir como centro de informações turísticas do roteiro. Tem pão fresquinho, assado no forno de tijolos ao lado do armazém.

Mirante do Campanário

O visitante pode subir no campanário, que foi construído ao lado da igreja de Faria Lemos. A vista dos vales junto aos sinos é linda e o preparo físico exigido para vencer as largas escadas é mínimo. A porta que dá acesso ao campanário fica sempre aberta. É só chegar e subir.

Pavão na Vinícola Dal Pizzol

Pavão na Vinícola Dal Pizzol. Foto: Kelly Pelisser

lago na Vinícola Dal Pizzol

Tem um lago lindo na Dal Pizzol. Foto: Kelly Pelisser

Dal Pizzol Vinhos Finos

A maior empresa do roteiro conta com um parque temático sobre vinhos. Há diversas atrações, como um museu que reúne garrafas e rótulos de vinhos de vários países.  De diferentes partes do globo vieram também as videiras que compõe o vinhedo do mundo. Pelo parque, há animais como pavões (cuidado com os gansos!), um lago e equipamentos utilizados no passado para a lida com a uva e a vinificação. A vinícola em si e os parreirais da vinícola não ficam nesse terreno e não são abertos à visitação de turistas. Mas, os vinhos estão lá no parque para você degustar ou comprar.

Casa centenária na Vinícola Vistamontes.

Casa centenária na Vinícola Vistamontes. Foto: Kelly Pelisser

Vistamontes Sucos Naturais

O jovem casal de enólogos Anderson de Césaro e Geyce Salton decidiu, em 2009, fundar, na terra onde a família dela produz uvas há mais de 100 anos uma vinícola. Mas, com um diferencial: produzem apenas suco de uva integral tinto e branco. A família vai guiando o passeio conforme o visitante preferir, apresentando os parreirais, a casa de pedra centenária onde a família vivia, o cachorro Peludo e os equipamentos para a produção de sucos.  O nome da vinícola não é por acaso: a vista é linda.

Vinícola Cristofoli

Vinícola Cristofoli. Foto: Kelly Pelisser

Vinícola Cristofoli

A Vinícola Cristófoli fica numa área mais urbana, no centrinho do distrito de Faria Lemos, mesmo assim, tem um toque todo de interior. A família, que produzia há décadas vinho no porão de casa, registrou a vinícola no fim dos anos 1990 e passou a fabricar, além da bebida feita com uvas comuns, vinhos finos, de variedades mais jovens, que não passam por barricas de carvalho. Mais recentemente, iniciou a comercialização também de espumante.

Também são servidas refeições sob agendamento. Quem cozinha são a mãe e a tia da enóloga Bruna Cristofoli. Tudo da colônia mas com um toque diferente, gourmet, mas sem ser esnobe. O molho da salada que tem como ingrediente bananas e o sagu de moscatel com morangos são uma delícia. Também sob agendamento tem almoço ou lanche servidos sobre edredons em meio aos vinhedos. Da massa às bruschettas, tudo feito na propriedade, acompanhado, claro, pelos produtos da vinícola.

Vinícola Estrelas do Brasil

Paisagem a partir do mirante da Vinícola Estrelas do Brasil. Foto: Kelly Pelisser

Vinícola Estrelas do Brasil

Paisagem em frente à casa do enólogo da Vinícola Estrelas do Brasil. Foto: Kelly Pelisser

Estrelas do Brasil

A vista mais linda de Bento Gonçalves. Ponto. Só isso já vale a visita ao lugar que, na verdade, é a casa do enólogo e diretor da Estrelas do Brasil, Irineo Dall Agnol. Mas os produtos são espetaculares. Dall Agnol construiu mirante em madeira para ter uma vista 360º dos parreirais e vales. Em frente à casa, o enólogo preparou lugar especial, com cadeiras de madeira e uma rede, onde o visitante descansa enquanto degusta um dos espumantes top de linha (faça fotos ali, muitas fotos!). Entre os produtos, há algo raro no Brasil: um Nature negro. Sim, um espumante tinto. A venda dos vinhos e espumantes é só lá ou pelo site.

O proprietário quer construir 20 refúgios, apartamentos sustentáveis, com teto de grama e paredes em vidro para que o visitante continue tendo a vista privilegiada de dentro do quarto. Também está nos planos futuros um espaço para eventos. A vista é encantadora sempre, mas, se aceitar uma dica, vá no por do sol, uma experiência única. Ah, claro, sempre agendando.

 

Outros empreendimentos do roteiro

Casa Dequigiovanni
Restaurante e Lancheria Faria Lemos
Vinícola Mena Kaho
Vinícola Monte Rosário

Para saber mais:

Rota das Cantinas Históricas: http://cantinashistoricas.com.br/

Vistamontes Sucos Naturais: http://www.vistamontes.com.br/

Vinícola Dal Pizzol: http://www.dalpizzol.com.br/home

Vinícola Estrelas do Brasil: http://www.estrelasdobrasil.com.br/

Vinhos Cristófoli: http://www.vinhoscristofoli.com.br/

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Jardim Leopoldina, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS)

jardim leopoldina no Vale dos Vinhedos

Esse cenário com o casarão e a árvore é lindo. Foto: Kelly Pelisser

O Jardim Lepoldina é um lugar lindo demais no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Num casarão de madeira centenário funciona um café na parte de baixo e uma loja na parte superior. O café oferece lanches, como sanduíches, vinhos, espumantes e sorvetes ao estilo italiano. Provei o sorvete de moscatel (bom demais) e de capuccino (igualmente ótimo). Você pode pedir provinhas para decidir qual vai querer.

Sorvete no jardim leopoldina vale dos vinhedos

Sorvete de moscatel e de cappuccino na área interna do café. Foto: Kelly Pelisser

O empreendimento é do grupo Famiglia Valduga, por isso, itens das marcas Casa Valduga, Domno e Casa Madeira são vendidos no local. Há comercialização, por exemplo, das cervejas Leopoldina, que também são do grupo.  As bebidas são artesanais. Não foi ali no Leopoldina, mas já provei a witbier, com limão siciliano e coentro, e gostei muito.

Na loja, há venda de marcas tradicionais da região, de roupas, sapatos, itens de cozinha e decoração.

Na entrada do empreendimento, você recebe um cartão com consumação mínima de R$ 10. Se o dia estiver bonito, o legal é pedir algo no café e sentar no jardim (tem uma árvore linda em frente ao casarão, mas também há outros espaços para dar uma caminhada ou sentar num dos bancos). Porém, se estiver chovendo, o espaço interno também é super aconchegante. Vale a pena dar uma passada no Jardim Leopoldina na sua próxima visita ao Vale.

 

Jardim Leopoldina

Onde: Via Trento, 2915 (aquela estrada secundária do Vale. Se entrar pela principal, pega à direita onde há uma placa indicando uma série de empreendimentos), Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves (RS).

Horário: de terça a domingo, das 13h às 19h.

Mais: Facebook 

10 coisas para fazer na Festa da Uva, de Caxias do Sul (RS)

Fui neste domingo conferir a Festa da Uva, de Caxias do Sul. Curti muito. As atrações tradicionais estão todas lá, mas também há novidades. Listo aí o que eu achei que mais valeu a pena para você também aproveitar nessa última semana que falta para o evento encerrar:

 

Bem na entrada, você tira foto nesse carreto com chapéu de colono. Uma graça! Foto: arquivo pessoal

Bem na entrada, você tira foto nesse carreto com chapéu de colono. Uma graça! Foto: arquivo pessoal

A chegada
A passagem é obrigatória logo depois das catracas da entrada. E que bonito que ficou! Um parreiral artificial saúda os visitantes, junto com atores que recebem o público com muita simpatia. Por ali está uma piscina (uma pipa na verdade) só com bolinhas roxas (uma diversão para a criançada!). Debaixo do parreiral está um carretão com pipas, onde te emprestam um chapéu de palha para uma foto bem bacana.

Museu do Video Game na Festa da Uva

Dá pra jogar Sonic, Mário Bros, Street Fighter… Foto: Kelly Pelisser

Museu do Vídeo Game
Uma novidade sensacional! O museu, bem no início do Pavilhão 1, tem mais de 200 consoles de vídeo game, com jogos clássicos das décadas de 1970, 1980 e 1990. E o melhor: dá para jogar!!! Tem Atari que funciona! Eu joguei Sonic e Mario Bros (ai, que saudades!). Mas você também pode escolher Street Fighter, Mortal Kombat, Pac-Man… e esses mais modernos de Playstation, Wii ou aqueles de dancinha. O mais legal é a reação dos adultos: “eu tinha um desse!!!” Ah, sim, é de graça. É só chegar.

Churro com recheio de branquinho e cobertura de Kit Kat e amendoim. Foto: Kelly Pelisser

Perdição chamada Churritus: esse com recheio de branquinho e cobertura de Kit Kat e amendoim. Foto: Kelly Pelisser

Comer, comer
Esqueça a dieta. A Festa da Uva é o paraíso das coisas doces, gordurosas e deliciosas. Já no Pavilhão 1 eu me atraquei num Churritus, um churro que você escolhe o recheio (tem nutella, branquinho, chocolate branco, limão, uva…) e duas coberturas (coco, Negresco, Confeti, nozes, amendoim…). Peguei um com recheio de branquinho e cobertura de Kit Kat picado e amendoim torrado. Voltei depois pra pegar outro com recheio de chocolate branco e cobertura de coco ralado e nozes. Um milhão de calorias, mas azar! Em qualquer lugar do parque, não se passa fome. A praça de alimentação mesmo fica no Pavilhão 2, mas por toda parte, você encontra coisas pra comer. Entre o Pavilhão 2 e a Réplica de Caxias estão também seis food trucks.

Pão assado no forno na Festa da Uva

Pão assado no forno é muito amor! Foto: Kelly Pelisser

Comprar pão e cuca assados em forno a lenha na hora e uvas
Bah, sabe aquele pão feito no forno, que recém saiu, quentinho? Outro gosto, né? Na saída do Pavilhão 1 (em direção ao 2) tem o forno tradicional que vende pães (R$ 7), cucas (R$ 10) e folhados (R$ 3). Ali do ladinho tem uma banca que vende uvas Itália, aquelas dos grãos grossos, por R$ 9,5 o quilo. Outros dois estandes de uva estão no caminho entre o Pavilhão 2 e a entrada.

Gramado da Festa da Uva

Pessoal aproveitando o gramado na saída do Pavilhão 1. Foto: Kelly Pelisser

Lagartear na grama
Cansou e o dia tá bonito? Senta na grama! Tem o gramadinho na saída do Pavilhão 1, onde se pode curtir um showzinho até. E também o gramado da Réplica de Caxias. Leva uma comidinha e aproveita no estilo piquenique pra fugir da muvuca dos Pavilhões.

Vila dos Distritos na Festa da Uva

A nona de Forqueta fazendo dressa. Foto: Kelly Pelisser

Vila dos Distritos
O espaço tradicional naquele cantinho mais baixo do Pavilhão 2 abriga o melhor do interior de Caxias. Os distritos mostram sua produção. Tem artesanato lindo de Santa Lúcia do Piaí (amei os imãs de geladeira com uma pombinha do Espírito Santo em madeira ou confeccionados com pinhão), tem chimia de uva e pão no forno e tem as nonas fazendo dressa (a trança de palha de milho para fazer chapéus ou cestas).

Espaço Nostra América na Festa da Uva

Adoreit a prefeitura de Bento do lado do casarão de Antônio Prado. Foto: Kelly Pelisser

Espaço Nostra América, com cidades da região
Também no Pavilhão 2, reproduz o centrinho de uma cidade, com um coreto onde há apresentações. Mas o legal é que ao redor estão, lado a lado, prédios tradicionais de cidades da região. Tem a igreja e o galo de Flores da Cunha, a prefeitura de Bento Gonçalves, a Casa Saretta de Veranópolis… Cada um desses prédios é um estande do município em questão.

Vinícolas na Festa da Uva

Tem chopp de vinho no estande da cooperativa Forqueta. Foto: Kelly Pelisser

Vinícolas e agroindústrias
Não se acanhe e prove. Pelo coração do Pavilhão 2, dá para experimentar sucos, vinhos e chopp de uva no espaço das vinícolas. Ou comprar, claro! Também há venda em copos (suco a R$ 3) ou em taça (de vinho ou espumante). Os estandes das agroindústrias são uma perdição: salames, copas, queijos, geleias, mel; frutas, legumes e vegetais cristalizados (provei cenoura e batata-doce. Bem bons). Fui passando e pegando provinhas…

Degustação de uva na Festa da Uva

Selfie da uva com a cidade ao fundo. Foto: Kelly Pelisser

Uva no Mirante
Claro que você não vai sair da Festa da Uva sem pegar a sua uva, né? É preciso paciência para chegar no Palácio das Uvas (tem que descer a rampa do Pavilhão 2) num domingo. A minha dica é, quando chegar ao fim da rampa, caminhar até o início da distribuição de uvas, no lado contrário da entrada: ali tem pouca gente pegando. E, por favor, coma a uva no mirante lá fora. A vista de Caxias é linda! E, se você conhece a cidade, tem sempre o tradicional: “lá é a igreja dos Capuchinhos, né? Aquela é a Moreira Cesar?” Ah, claro, e a foto com a cidade ao fundo.

Replica de Caxias do Sul na Festa da Uva

O pastel de costelão com charque tá, mais ou menos, nessa altura da Réplica. Foto: Kelly Pelisser

Réplica de Caxias
A Réplica de Caxias de 1885 está lá o ano inteiro, mas eu acho um pecado ir no parque e não dar uma passada. As construções em madeira são lindas e parecem que ficam mais “vivas” no período da festa. Além de abrigar museus (da festa, da água, do comércio), as casinhas também oferecem comida e são uma boa opção para fugir do tumulto da praça de alimentação. E comer com esse cenário tem outro valor. Eu comi um pastel ótimo lá, chamado gaúcho, com costela desfiada, charque e requeijão (R$ 7).

 

Festa da Uva
Até 6 de março de 2016, no Parque de Eventos de Caxias do Sul
Horários: de segunda a sexta, das 14h às 22h, sábado e domingo, das 9h às 22h.
Ingressos: de segunda a quinta, R$ 12,00 e R$ 6,00 (meia entrada para idosos e estudantes); de sexta a domingo, R$ 15,00 e R$ 7,50 (meia entrada para idosos e estudantes. Estacionamento: R$ 15. Há uma linha de ônibus especial, com saída ao lado do colégio Presidente Vargas, no centro de Caxias em direção aos Pavilhões da Festa da Uva. As linhas regulares dos bairros Pioneiro, Por do Sol e Vinhedos também têm paradas na área central e passam perto da festa.
Informações: http://www.festanacionaldauva.com.br/

Vídeo: Principais atrações de Dublin, na Irlanda

Morei em Dublin, na Irlanda, em 2011. Esse vídeo eu fiz naquela época mostrando as principais atrações da área central da cidade. Achei que vale resgatar. Só, por favor, relevem o vento. Gravei com uma camerazinha comum. E venta demais em Dublin, em qualquer estação. Se não chover e ventar, não é Dublin. 🙂

Pretendo fazer vídeos novos de atrações no Brasil e ir postando aqui no blog.

Miolo Wine Garden, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS)

Miolo Wine Garden

Wine truck serve bebidas e comidinhas. Foto: Kelly Pelisser

Para mim, o cenário da Vinícola Miolo e do hotel Spa do Vinho sempre foram a paisagem mais bonita do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS). Esse pedaço de chão faz parte daqueles lugares que a gente já foi dezenas de vezes, mas que nunca cansa de ir. Depois que a Miolo inaugurou seu Wine Garden, pra mim, então, virou ponto de passagem obrigatório. Indico para todo mundo que pergunta o que ver no Vale. O Wine Garden é uma ideia extremamente simples, mas que funciona absolutamente bem. É um wine truck, ou um pequeno ônibus adaptado, para servir comidinhas e, claro, espumante e vinho, no jardim da Miolo. Abre nos sábados, domingos e feriados, das 10h30min às 18h, se o tempo estiver bom. Às vezes, chove, então, ele fecha, mas reabre, se o tempo estiar.

Brusquetas servidas no Wine Garden

Brusquetas servidas no Wine Garden. Foto: Kelly Pelisser

O jardim aos fundos da vinícola é muito bacana, com um gramado enorme e um lago com peixes. Nessa grama, é que são arrumados os tapetes, almofadas, mesinhas e cadeiras, para um piquenique ao ar livre. Cada vez, a disposição do mobiliário, que também contempla pipas e caixotes de vinho, é diferente. Nos dias de muito sol, são armados gazebos (aquelas tendinhas estilo de praia). O cardápio varia conforme as semanas. Tem tábuas de frios e grãos, brusquetas, cupcakes, pastel de Belém, sanduíches, salada de frutas com espumante e outras delicinhas. Os temperos e alguns ingredientes são produzidos ali perto, numa horta orgânica. Os vinhos e espumantes são servidos em garrafas ou taças.

Tábua com frios e grãos no Wine Garden.

Tábua com frios e grãos no Wine Garden. Foto: Kelly Pelisser

O espaço é bacana também para crianças. Inclusive, há brinquedos à disposição. Animais de estimação são permitidos. Eu recomendo muito juntar uma turma de amigos e ir ver o sol se pôr deitado num tapete no Wine Garden bebendo uma taça de vinho ou espumante. Se quiser aproveitar a visita e ver outros empreendimentos do Vale, sugiro ir ainda de manhã e reservar umas boas horas para o jardim da Miolo. É uma experiência para guardar nas memórias mais queridas.

Miolo Wine Garden
Onde: nos jardins aos fundos da Vinícola Miolo, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS)
Quando: sábados, domingos e feriados de tempo bom, das 10h30min às 18h
Quanto: não se paga consumação mínima (a não ser que você escolha uma gazebo em dias quentes). Há porções individuais e outras para dividir com os amigos. Nas vezes em que fui com os amigos, rachando a conta, deu entre R$ 20 e R$ 30.
Mais informações: no site da Miolo ou no Facebook do Wine Garden.

Zoológico de Lujan, na Argentina

Escrevi esse texto originalmente em outubro de 2013, quando visitei o Zoológico de Lujan, na Argentina. É uma experiência controversa e ainda hoje fico com o coração dividido de lembrar. Afinal, pense em animais selvagens presos em jaulas, com centenas de pessoas passando as mãos neles todos os dias. Estranho, no mínimo.

Zoológico de Lujan. Foto: arquivo pessoal

Zoológico de Lujan. Foto: arquivo pessoal

Visitar o Zoológico de Luján é uma experiência muito louca. Isso porque você pode entrar nas jaulas de bichos como tigres e leões. No zoo, te contam a seguinte história: desde filhotes, os animais são criados junto com cachorros, por isso, eles crescem repetindo o comportamento de bichos de estimação. Os cachorros também são treinados para morder os felinos no focinho (a parte mais sensível deles) quando dão patadas mais fortes ou tentam atacar. Assim, eles aprendem que não devem fazer isso. Well, até faz sentido, mas é muito louco estar numa jaula com dois ou três tigres. Enquanto você passa a mão em um, o outro está andando atrás de você. Sim, dá medo. É inevitável pensar: “o outro vai me atacar pelas costas!” Porque, reflita: ok, eles foram criados com cachorros (aliás, os cães estão nas jaulas junto com eles), mas são animais selvagens e também há o estresse de milhares de pessoas passando a mão todos os dias. Eu pensava também naquelas histórias de cães rottweilers criados desde pequenos por um família e, de repente, o cachorro ataca e mata alguém. A família sempre diz: “mas era tão mansinho. Nunca tinha feito nada.” Pois é. Sempre tem um dia em que ele faz. Tem gente que diz que os animais do zoo são sedados. Mas, claro, a direção nega. Sei lá, é meio estranho. Mas, abstraí tudo isso e fui lá.

O zoo fica em uma rodovia na cidade de Luján (a uns 80 quilômetros do Centro de Buenos Aires). O ingresso custa 400 pesos (uns R$ 100, se o site estiver atualizado em 2016). Eu fui com uma excursão com guia, que te busca e te leva no hotel. Paguei quase o dobro do preço do ingresso pelo pacote, mas gostei. Já está incluído algumas coisas que te cobram a mais no zoo, além do ingresso, e a guia faz fotos suas com uma máquina dela e depois posta no Facebook do tour, o que te permite baixar as imagens. Quem tiver interesse, o nome é Superguias. Com a van deles, a viagem demora uns 40 minutos. Outras opções mais baratas, são o ônibus 57, que você pega na Plaza Itália (lembrando: pagamento só em moedas), mas aí tem que avisar o motorista e descer no meio da rodovia (mas o zoo fica logo pra dentro). Com esse ônibus, a viagem dura duas horas. Ou também há vans da empresa Fabebus, que vão até Luján. Também tem que pedir para o motorista para descer no meio da estrada. Nessa opção, a viagem dura uma hora.

Zoológico de Lujan. Foto arquivo pessoal

Zoológico de Lujan. Foto arquivo pessoal

Nas jaulas dos bichos mais perigosos, há duas grades. Entram por vez de duas a quatro pessoas. Você entra na primeira, eles trancam. Aí, você deixa bolsas e qualquer coisa que leve na mão e também correntes e brincos. Só dá para levar a máquina fotográfica. Depois, eles abrem a segunda porta e você entra onde estão os bichos. Dá medo. Os leões pareciam bem tranquilos, mas os tigres estavam agitados. Na jaula onde tem um tigre branco e outro listrado, esse segundo pegou com a boca a térmica de água quente do tratador que estava tomando mate e saiu correndo. O tratador atirou um objeto contra a grade para que o animal soltasse a térmica. Tenso! Na outra, onde estavam três tigres, um franguinho solto pelo zoo teimava em querer ficar no espaço entre as duas portas da jaula. Os tigres ficaram bem loucos, querendo pegar o frango. E eu lá dentro da jaula junto com eles! Um passou correndo bem ao meu lado, me encostou na perna. Gelei! E os treinadores não pareciam confortáveis com a situação. Mas, enfim, nada aconteceu. Toda hora, os tratadores ficam dando carne na boca dos bichos. Há também algumas orientações. Para passar a mão, só se for bem firme e não na cabeça nem perto do rabo, apenas nas costas. Crianças não entram nas jaulas dos felinos.

Além de entrar nas jaulas dos bebês leões ( uma graça! Parecem gatos grandes), dos tigres (são duas jaulas, uma com um branco e um tigrado e outra com três tigrados) e dos leões (dois em uma jaula), é possível alimentar um elefante com uma cenoura ou fruta. A orientação é só ficar de costas e a mão erguida para ele não passar a tromba na sua cara. Para dar comida aos ursos, tem que pagar cinco pesos (no pacote que eu contratei, já estava incluído). Você recebe marrom-glacê, biscoitinhos, para colocar na ponta de uma vara. Você fica do outro lado de uma grade, não dá para chegar perto dos ursos, apesar de eles terem recebido a mesma criação que os leões, junto com cães. Outra atração é andar de dromedário. Podem subir duas pessoas por vez. Mas me deu pena dos bichos. A vida deles é andar em círculos carregando pessoas nas costas.

O zoo não é tão grande. Também tem ovelhas, cervos, veados, emas, macacos, foca, leão marinho, galinhas e pavões (incluindo um branco, que eu nem sabia que existia). Não são permitidas fotos da cobras, araras e iguanas. Isso porque, se você quiser, o pessoal do zoo coloca esses animais nas suas mãos, mas cobram pelas fotos. Claro.

Eu fui num dia de semana e bem no início da manhã. O movimento estava bem tranqüilo. Mas, dependendo do dia e horário em que você for, pode ter fila de horas para fazer fotos com o leão ou tigres.

Buenos Aires: as principais atrações da cidade

Escrevi esse texto originalmente em outubro de 2013, depois de ter voltado de uma viagem de férias a Buenos Aires, na Argentina. É bem o básico do básico para quem nunca esteve na Capital do país vizinho. Como já faz uns anos, algumas dicas podem estar desatualizadas, mas, creio que a maioria ainda vale.

Casa Rosada. Foto: Kelly Pelisser

Casa Rosada. Foto: Kelly Pelisser

Nos cinco dias em que estive em Buenos Aires, consegui percorrer as principais atrações da cidade. Acho que quatro dias são mais do que suficientes, se você não quiser ir ao Zoológico de Luján, por exemplo.

O famoso Caminito é apenas uma pequena rua, no bairro da Boca (um pouco mais afastado do Centro). Toda feita para turistas, tem restaurantes e lojinhas para vender lembrancinhas. As casas são bem coloridas, lembrando os cortiços de imigrantes pobres, feitos com pedaços de contêineres velhos (por isso, tinham muitas cores). Dá para fazer umas fotos legais, mas não vi muita graça nesse lugar, lotadíssimo de turistas e de gente querendo te oferecer de tudo.

Indo para o Centro, na Plaza de Mayo, tem várias coisas pra ver. Recomendo ir num final de semana, porque aí é possível visitar a Casa Rosada. A sede do governo abre nos sábados e domingos para turistas e o passeio guiado é de graça (ou pelo menos, abria em 2013. É bom dar uma checada antes, porque entendi que visitas guiadas agora são só para escolas ou organizações). Assim que você entrar no pátio das Palmeiras (é lindo!) vá até a porta onde uma moça distribui fichas para o passeio. Pegue logo a ficha porque talvez você tenha que esperar muito tempo até o próximo horário livre. A Casa Rosada tem salões lindos. Um dos pontos altos é a sacada para a Plaza de Mayo, onde já discursaram presidentes e onde a Seleção Argentina que tinha Maradona como estrela principal comemorou a Copa do Mundo. Em algumas salas, a presença de Evita Perón ainda paira. Há quadros, fotos e a escrivaninha da ex-primeira-dama preservadas.

Ao redor da Plaza de Mayo, também ficam o Museu Cabildo e a Catedral Metropolitana. A igreja é muito bonita por dentro e a visita é grátis. Na Catedral, fica o túmulo do general San Martín, vigiado permanentemente por dois guardas. O general lutou para a independência da Argentina e também do Chile e Peru. Atrás da Casa Rosada, fica o Museu do Bicentenário, que também pode ser visitado gratuitamente.

Pelo Centro, dá para dar uma passada também no Obelisco, monumento símbolo de Buenos Aires, no encontro das avenidas 9 de Julio e Corrientes. Não muito longe, ficam a Calle Florida, rua de comércio, onde passam apenas pedestres (tem um pouco de tudo, mas nada muito emocionante. E muita gente oferece câmbio pela rua, mas não caia nessa). A Florida é uma das quatro entradas das Galerias Pacífico, um shopping com uma arquitetura linda. Não muito longe daí, fica o Café Tortoni, super tradicional ponto de Buenos Aires, que tem 155 anos e é chiquérrimo. Eu pedi o básico, chocolate quente e churros.

Uma vizinhança próxima do Centro e linda é a Recoleta. Nos finais de semana, tem uma feira meio hippie na pracinha. Não é muito grande, mas o melhor é sentar no gramado no sol e ficar apreciando o dia. Ali do ladinho tem o Buenos Aires Design, um shopping muito legal, focado em artigos de decoração. Logo ao lado tem a igreja e o cemitério da Recoleta. O cemitério é onde estão enterradas famílias super tradicionais de Buenos Aires, incluindo o túmulo dos Duarte, onde está o corpo de Eva Maria Duarte Perón, a Evita. Esse túmulo dela é bem simplesinho, do lado esquerdo do cemitério, a partir da entrada principal, de mármore negro. Mas há tumbas enormes, quase igrejas, com estátuas gigantes, colunas gregas, cúpulas e tudo mais. Há tours guiados grátis, duas vezes por dia, pelo menos, de quartas a sextas. No finais de semana, tem que consultar horário, é meio irregular. Uma curiosidade desse cemitério é que os caixões estão expostos dentro dos mausoléus. Naquele espaço onde no Brasil, costumam ficar fotos e flores, estão os caixões em prateleiras. Alguns, estão cobertos com panos, outros, não. Fora do cemitério, há vários lugares bem bacanas para comer. Sugiro um sorvete da Freddo de dulce de leche (doce de leite). Aliás, não saia da Argentina sem provar! É muito, muito bom!

Pela noite, fui num show de tango. Os dois que mais oferecem para os turistas são o Esquina Carlos Gardel (mais tradicional) e o Señor Tango (mais estilo Broadway). Mas há milhões de opções (mais baratas, inclusive. Pesquise). Optei pelo Señor Tango. É bacaninha o show. A troca de palcos é rápida. O show começa com dois sujeitos entrando a cavalo no palco, caracterizados de índio e de gaúcho. Depois, além de muitos casais dançando, há bailarinas que voam suspensas por cordas e até um dueto de um cantor ao vivo com o Roberto Carlos no telão (sim, prova de que só há turistas brasileiros por lá). O show termina com No Llores Por Mi, Argentina. Ops, spoiler. Sorry.

No domingo, andei pela região de Puerto Madero, um antigo porto, reformulado, com restaurantes, casas noturnas, etc. De dia, muita gente vai lá para caminhar, correr. Mas, é pela noite que ferve. Domingo é dia de Feira de San Telmo. Nesse bairro, quadras e quadras da Calle Defensa são ocupadas por barraquinhas que vendem de tudo. Sugiro deixar as compras da viagem para ali. Ao longo da rua, você encontra também a estátua da Mafalda, a personagem do argentino Quino. Ela está sentadinha num banco na esquina da Defensa com Chile. Ao arredor da Plaza Dorrego, estão concentradas as barraquinhas que vendem antiguidades. Mas, pelo bairro, também se acham vários antiquários e há também um mercado.

Na segunda-feira, visitei o Teatro Colón, fica bem no Centro e é lindo! Demorou vinte anos para ser construído, teve a mão de três arquitetos, dois italianos e um belga e a maioria dos materiais veio da Europa. No teto de algumas salas, tem ouro de verdade e lustres que pesam toneladas. Para visitá-lo, estrangeiros pagam 110 pesos. O turistas conhece alguns salões e a platéia. Mas não dá para visitar os três andares de subsolo, onde são feitos os cenários e as roupas das óperas.

No mesmo dia, conheci também a livraria El Ateneo. Localizada na Avenida Santa Fé, a livraria tem mais de 100 anos e a forma de um teatro. No palco, fica um café. Onde ficaria a platéia e nos camarotes, há livros. Para encerrar a segunda, peguei um táxi até Palermo Viejo. O bairro de Palermo, endereço de ricos, tem várias divisões: Soho, Hollywood, Chico. A parte de Palermo Viejo é bacana, especialmente ao redor de umas pracinhas, onde há bares e restaurantes com mesinhas na calçada.

El Paseo Del Rosedal. Foto: Kelly Pelisser

El Paseo Del Rosedal. Foto: Kelly Pelisser

Conheci o Zoológico de Luján, o que merece um post à parte. Pela tarde, ainda fui na região dos bosques de Palermo, uma enorme área verde no meio da cidade super agitada. Ali, há muitos parques. Visitei dois que são de graça. O Jardim Botânico, que é um encanto! E um dos parques mais lindos que já vi, comparável aqueles da Europa, El Paseo Del Rosedal. É lindo, lindo, lindo! Tem fontes, lagos, com ponte e um jardim enorme de rosas, de vários tipos e cores. Rende fotos maravilhosas e horas agradáveis.

Buenos Aires tem, sim, um quê de Europa, mas também tem muito da pobreza da América do Sul