Pinto Bandeira busca denominação de origem para espumantes

espumantes pinto bandeira

Espumantes de Pinto Bandeira podem ser primeiros do Brasil a ter denominação de origem específica. Foto: Kelly Pelisser

O município de Pinto Bandeira está a caminho de ser a primeira região do Brasil com denominação de origem para espumantes. Para você que não é muito familiarizado com o assunto, é por causa da denominação de origem (DO) que o vinho espumante produzido numa determinada região da França é chamado de champagne. Pinto Bandeira já tem indicação geográfica (IP) para seus produtos vinícolas, mas a denominação de origem é mais específica, mais restrita.

O Vale dos Vinhedos possui denominação de origem para vinhos. A diferença para as vinícolas de Pinto Bandeira é que a DO será exclusiva para espumantes, elaborados pelo método tradicional, apenas com as variedades Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico, plantadas em espaldeira. A bebida certificada passará, no mínimo, por 18 meses de maturação.

O presidente da Associação de Produtores de Vinho de Pinto Bandeira (Asprovinho), Daniel Panizzi, explica a aposta: “O nosso terroir, historicamente, tem se mostrado tecnicamente excelente para produção de espumantes”. As vinícolas que estão à frente do projeto são quatro: Aurora, Don Giovanni, Geisse e Valmarino. Neste momento, o processo encontra-se em estudo, aos cuidados da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves. Ainda não há previsão para finalização e encaminhamento para avaliação do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), órgão que concede o registro, mas a expectativa é que possa estar concluído até o final de 2018. As discussões para obtenção da denominação de origem iniciaram ainda quando a indicação geográfica foi garantida, mas se intensificaram no último ano. “A DO vem para certificar e regrar o nosso trabalho, além de expor ao mercado premissas da nossa associação. A IP já nos conduziu para várias melhorias e a DO será mais restritiva ainda. O que para nós será um ganho em qualidade nos processos e logicamente, na qualidade final do nosso produto”, entende Panizzi.

Na Serra, além de Pinto Bandeira, Farroupilha, Monte Belo do Sul e Flores da Cunha têm o selo de indicação de procedência. O Vale dos Vinhedos possui a certificação de denominação de origem.

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Vinícola, pousada e restaurante Don Giovanni, em Pinto Bandeira (RS)

pousada vinícola Don Giovanni

Pousada fica numa casa de 1930. Foto: Kelly Pelisser

A vinícola Don Giovanni é um lugar lindo para se conhecer em Pinto Bandeira, pertinho de Bento Gonçalves. No mesmo endereço, ficam a plantação de uvas, a vinícola, o varejo e uma pousada, que também tem restaurante. A propriedade é super charmosa e aconchegante. A empresa produz vinhos e espumantes excelentes (experimente o rosé brut, por favor).

Vinícola Don Giovanni

Espumante brut rosé: apenas prove! Foto: Kelly Pelisser

Eu já tinha passado pela vinícola, mas pude conhecer melhor o espaço a convite do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e do Sindicato Empresarial da Gastronomia e Hotelaria da Região Uva e Vinho (Segh), como parte da programação do Dia do Vinho. A visitação à vinícola custa R$ 20 por pessoa, que são totalmente revertidos em compras no varejo depois. Você pode conhecer o processo de produção, as caves (onde os vinhos e espumantes maturam) e os vinhedos. A caminhada em meio aos parreirais é muito bacana, em qualquer época do ano. Agora, as folhas estão amareladas ou já caídas. No meio dos vinhedos, há um pequeno mirante, numa caixas d’água, onde se pode ter uma visão melhor do terreno e ver o pôr do sol. Para quem curte bichos, há ovelhinhas e um pônei na propriedade. Outro fator interessante: há dois anos, iniciou-se um processo para uma condução biodinâmica dos vinhedos. A ideia é reduzir o máximo possível, ou até eliminar, o uso de defensivos agrícolas. Assim, a poda é feita de acordo com o calendário lunar. Entre as fileiras de videiras são plantados trevo branco e aveia para regular nutrientes do solo. Também é utilizada uma máquina que joga ar quente nas plantas para fazê-las “secar” e, com isso, terem incidência menor de fungos, e por conseguinte, menor necessidade de tratamentos químicos. Essa máquina também entra em cena em noites geladas para aumentar a temperatura dos vinhedos e tentar evitar a formação de geada, que prejudica as plantas.

Don giovanni vinhedos

Manejo biodinâmico de vinhedos pretende reduzir volume de defensivos. Foto: Kelly Pelisser

Para quem aproveitar melhor todo esse ambiente, a pousada Don Giovanni tem sete apartamentos num casarão de 1930, com móveis antigos, e mais um apartamento num alojamento separado, que foi reformado e onde cabem até cinco pessoas. No casarão, os apartamentos custam R$ 400. O oitavo apartamento, que tem banheira de cromoterapia, mezanino e dois banheiros, sai por R$ 600. Normalmente, em fins de semana e feriados, a pousada lota. É bom reservar com antecedência. Há uma piscina na área externa e um deck onde fica um fogão a lenha. Antes do jantar, fomos recebidos com pinhões assados na chapa e vinho. Coisa bem boa!

Cava vinícola Don Giovanni

Visitante podem conhecer as cavas onde ficam os vinhos e espumantes. Foto: Kelly Pelisser

O restaurante atende qualquer pessoa, não só hóspedes, mas é preciso agendar. Ele fica no porão de pedra da casa. Nos sábados, sempre tem um jantar harmonizado. Nos outros dias, é preciso consultar porque o restaurante só abre se tiver um grupo mínimo de 15 pessoas (aos sábados, você pode jantar sozinho ou num casal só). Há três cardápios fixos, com saladas, dois pratos e sobremesa, acompanhados de vinhos, espumantes, água, café e brandy. Os preços variam de R$ 115 a R$ 150 por pessoa, com tudo incluído. Os pratos são de gastronomia local, mas com um apelo bem próprio do restaurante. Vários dos itens utilizados no cardápio são produzidos na própria propriedade, como as alcachofras, as saladas e pêssegos.

Risoto de Alcachofras

Esse risoto maravilhoso tem alcachofras que são produzidas na própria propriedade. Foto: Kelly Pelisser

O nosso cardápio teve salada de alface com manga, aveia e redução de balsâmico. O primeiro prato foi um risoto de alcachofra com vinho chardonnay fantástico! Depois, veio um frango cozido na cerveja por três horas com batatas assadas e uva passa. Por fim, de sobremesa, cassata com calda feita com leveduras retiradas após a segunda fermentação dos espumantes acompanhada de pêssegos. Todos os pratos são harmonizados com vinhos ou espumantes. Tudo muito delícia e com um atendimento que faz você se sentir em casa.

Ah, dica: passando por Pinto Bandeira, você também pode visitar as vinícolas Cave Geisse e Valmarino.

 

Don Giovanni

Onde: Linha Amadeu, 28, Km 12 (é super fácil de achar, na estrada que liga Bento a Pinto Bandeira, há placas indicando onde você deve entrar, antes ainda de chegar ao centro do município), Pinto Bandeira (RS)

Mais: site e Facebook

 

 

Vinhos de Pinto Bandeira (RS): Cave Geisse, Don Giovanni e Valmarino

A região de Pinto Bandeira tem vinícolas que produzem vinhos e espumantes maravilhosos. Os estabelecimentos ficam no interior (vindo de Bento Gonçalves, a partir do bairro Barracão, todas estão antes ainda de se chegar na área urbana de Pinto Bandeira). Há placas indicando os caminhos, mas é bom consultar nos sites ou ligar para as empresas perguntando mais informações de como chegar e horários de atendimento.

Mirante Pousada Fornasier

Vista da cascata a partir do Mirante Pousada Fornasier. Foto: Kelly Pelisser

Mirante da Pousada Fornasier

Numa curva da VRS-855, a estrada que liga Bento a Pinto Bandeira, está o restaurante e pousada Fornasier. A parada ali é obrigatória para você apreciar no mirante ao lado a Cascata dos Amores ao Fundo.

Mais: site e Facebook 

Cave Geisse

Vinícola Cave Geisse. Ah, essa aí é uma rolha de espumante antes de ser prensada pra entrar na garrafa. Foto: Kelly Pelisser

Cave Geisse

Vinícola do enólogo chileno Mario Geisse, que fez uma pesquisa detalhada para encontrar um lugar com o solo e o microclima perfeitos para produção de espumantes. Ele achou neste terreno na Linha Jansen (e nem é todo o terreno da vinícola, mas, sim, uma área específica, onde os vinhedos foram plantados e não serão ampliados, para se obter qualidade e não quantidade). Os produtos são maravilhosos e já ganharam vários concursos internacionais. Uma vez, encontrei um advogado londrino num voo entre São Paulo e Caxias do Sul. Ele me contou que era colecionador de arte e havia emprestado umas obras para uma Bienal de Poa. Na inauguração da exposição, provou um espumante que era tão bom quanto os melhores franceses que já tinha bebido. Quis saber de onde era. Era da Geisse. O advogado ficou tão encantado que quis conhecer Pinto Bandeira e acabou comprando um terreno por lá.

Dá para visitar a vinícola e provar alguns dos produtos. Ou agendar um passeio de 4×4 pelos vinhedos.

Mais: site

Don Giovanni

Vinícola Don Giovanni. Foto: Kelly Pelisser

Don Giovanni

Na área da vinícola, que produz vinhos, espumantes e brandy, há uma pousada super aconchegante e um restaurante. É possível visitar a área, caminhar pelos vinhedos, ou participar de uma degustação (cobrada). Os prédios cobertos de folhagens são encantadores.

Mais: site ou Facebook 

Vinícola Valmarino

Vinícola Valmarino. Foto: Kelly Pelisser

Valmarino

Pequena vinícola familiar, a Valmarino fica na Linha Jacinto Sul, próxima da área central de Pinto Bandeira. Numa casa antiga, funciona um varejo, onde é possível degustar os produtos, que têm um excelente custo-benefício. Os atendentes são super atenciosos para dar explicações. Entre os produtos da vinícola, algo raro nas vinícolas brasileiras: um espumante extra brut tinto. Outro item que eu amo deles são os espumantes, um nature e um extra brut, que passaram por barricas de carvalho, também algo especial. Outras particularidades são um vinho feito com a uva Sangiovese, não tão comum na região, e um vinho leve para tomar comendo sushi.

Mais: site e Facebook 

 

Mais: site e Facebook da Associação dos Produtores de Vinho de Pinto Bandeira