Pico do Monte Negro, em São José dos Ausentes, o ponto mais alto do RS

 

O Pico do Monte Negro, o ponto mais alto do RS, é aquele morro ali. Foto: Kelly Pelisser

Decidi passar um aniversário diferente. No final de semana em que completava mais um ano de vida, fui com o pessoal da Indiada Buena Aventuras para uma excursão para conhecer os cânions de São José dos Ausentes e o Pico do Monte Negro, o ponto mais alto do RS, que fica na cidade, bem na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. A saber: todos os cânions de Ausentes ficam dentro de propriedades particulares, onde há pousadas, e só podem ser acessados via estradas de chão.

Cânions ao lado do pico do Monte Negro. Foto: Kelly Pelisser

O grupo saiu de Bento Gonçalves às 3h30min do sábado, dia 20 de maio, e passou para me buscar em Caxias do Sul, de onde seguimos até São José dos Ausentes. Chegamos na cidade pouco antes das 8h. De Caxias ao centro de Ausentes são cerca de 200 quilômetros. Do Centro até nossa primeira parada, a Fazenda Ecológica dos Cânyons, onde está localizado o cânion da Boa Vista, foram mais quase duas horas no micro-ônibus. Em distância, são cerca de 40 quilômetros em estrada de chão, que está em condições razoáveis. Tomamos um baita café da manhã na pousada (por R$ 25), com direito a frutas, bolos de muitos sabores, pães, frios, suco e café.

Do primeiro dia, na tentativa de ver o Cânion da Boa Vista, a neblina deu as caras. Foto: Kelly Pelisser

Ainda durante o café, por volta das 10h e pouco, a neblina baixou. Iniciamos a caminhada em torno das 11h não vendo nada, e assim foi até o fim do caminho. Chegamos na borda do cânion da Boa Vista, mas não vimos nada além do branco total à frente. Almoçamos ali mesmo com o que cada um trouxe de casa. A ideia era percorrer 16 quilômetros no total, mas, como não dava pra ver nada mesmo, fizemos menos, cerca de 12 quilômetros. O pessoal de Ausentes me disse que a neblina baixa mais em dias quentes. Estava em torno de 15ºC, o que para a cidade, é muito quente. No verão é bem mais comum ter neblina do que em dias frios de inverno. Voltamos, com chuva também pelo caminho. Então, pegamos estrada de chão de novo, em torno de 1h40min de viagem de micro-ônibus, para ir até a Pousada Aparados da Serra, onde passamos a noite.

Esse é o pátio da Pousada Aparados da Serra. Foto: Kelly Pelisser

A Pousada Aparados da Serra fica no mesmo terreno onde está o pico do Monte Negro, o ponto mais alto do Estado, e os cânions do entorno. O pico está a 1.410 metros do nível do mar. A pousada é bem simpática e aconchegante e tem lareira para aquecer os dias frios (lá sempre é mais frio do que em outras regiões do Estado, inclusive do que a Serra). Tem uma casa maior, onde ficam alguns quartos, e chalés do lado de fora. Os quartos que têm banheiro custam R$ 200 por pessoa a diária, com café da manhã, almoço e janta incluídos. Os quartos que não têm banheiro saem por R$ 175 por pessoa. Reservando com antecedência, pra quem não é hóspede, dá para conhecer os cânions e almoçar na pousada por R$ 35 por pessoa. Se quiser passear a cavalo, fica R$ 50 por pessoa.

A ideia era ver o sol nascer no Pico do Monte Negro no domingo. Dá para chegar perto dele com o veículo e só subir um último trecho a pé. Acordamos às 5h, mas nem chegamos ir até lá porque o tempo estava totalmente fechado. Depois de um café da manhã excelente na pousada, o nosso grupo se dividiu em dois, uma parte que percorreu a pé o trecho de 10 quilômetros que separa a pousada e o Pico do Monte Negro, e outro que foi a cavalo por um trajeto maior para nos encontramos no final. Eu fui a cavalo, mesmo tendo um pouco de medo. Depois de cerca de uma hora e meia, chegamos ao ponto mais alto do Estado. O pico em si é apenas um morro coberto de árvores. Mas o cânion ao lado é realmente impressionante. Nesse dia, o tempo colaborou. A paisagem até lá é de campos e coxilha, muito linda também. Tanto no Monte Negro, quanto no Cânion Boa Vista (que a gente tentou ver no sábado), foram gravadas novelas da Globo como Além do Tempo e O Profeta.

Ainda quando a gente apreciava e fazia fotos do Boa Vista, o tempo fechou, a neblina subiu rapidamente e começou a chover. Voltamos para a pousada então, para um banho e para almoço (com paçoca de pinhão e outras delícias da culinária regional. A comida é um atrativo à parte!).

Recomendo demais conhecer São José dos Ausentes. Essa região dos cânions é absurdamente linda! Quero voltar para ver o Boa Vista e também outros pontos do interior, com cachoeiras e cânions, que não conheci. O lugarzinho é abençoado pela natureza e a comida é boa demais! A excursão com a Indiada Buena Aventuras custou R$ 315 por pessoa, incluindo a pousada, o transporte, guia e seguro, mais R$ 25 pelo café da manhã na primeira fazenda, e R$ 50 para andar a cavalo no segundo dia. Um aniversário realmente inesquecível!

 

Saiba mais:

Indiada Buena Aventuras: site e Facebook

Pousada Aparados da Serra, no Pico do Monte Negro: site e Facebook

Pousada Ecológica dos Canyons, no Cânion da Boa Vista: Facebook

 

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Caminhada na Ferrovia do Trigo, em Dois Lajeados (RS)

Já faz algum tempo que eu queria conhecer a Ferrovia do Trigo, na região de Dois Lajeados, na Serra gaúcha. Mesmo tendo medo de altura, resolvi encarar, no último sábado, a caminhada de 10 quilômetros junto com uma turma da Indiada Buena Aventuras, de Bento Gonçalves. Durante oito quilômetros, seguimos os trilhos do trem, entre o interior de Guaporé e uma localidade no interior de Dois Lajeados. Nesse trecho, passamos por cinco túneis e por dois viadutos, o Mula Preta, com 325 metros de extensão e quase 100 metros de altura, e o Pesseguinho, menor em extensão, porém, bem mais alto. No final, foram mais dois quilômetros de estrada de chão, numa subida, para sair da ferrovia e chegar ao ponto onde o transporte nos aguardava. Ah, mas não é só a altura o que o torna o passeio cheio de adrenalina: o trem de cargas ainda passa por essa ferrovia mais de uma vez ao dia, e detalhe: não se faz ideia dos horários.

O ponto de encontro foi numa empresa em Bento, nas margens da BR-470, ao meio-dia de sábado. O grupo tinha 42 pessoas, mais três guias. Um deles abre o caminho à frente, outro acompanha o pessoal no meio, e o último fica no fim, para evitar que alguém se perca. Demoramos pouco mais de uma hora para chegar, em uma van e um micro-ônibus, até o ponto do início da caminhada. Logo à frente, já estava o primeiro túnel, de 500 metros de extensão. Levamos lanternas para enxergar lá dentro, especialmente, onde você pisa, já que o entorno dos trilhos e dormentes tem cascalho grosso. Vez por outra, caía um pouco água nas nossas cabeças, já que os túneis têm infiltrações. Durante o trajeto, há outro túnel de extensão semelhante, dois pequenos (em que você já enxerga a saída do ponto de entrada) e um bem grande, de 2,3 quilômetros (onde você vai entender o significado da expressão luz no fim do túnel. Hehe). Nesse maior, eu ouvi morcegos passando e senti o cheiro de aranha, mas não vi nenhum bicho.

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A parte mais emocionante (ou tensa) do passeio, certamente, é a passagem pelos dois viadutos. Antes de contratar o passeio, fiquei pensando se eu realmente conseguiria cruzá-los. O primeiro, o Mula Preta, dá as caras logo, depois dos túneis mais curtos. Ali no início, me pareceu ok. A orientação dos guias foi cruzá-lo em trios: uma das pessoas fica no meio dos trilhos, as outras duas nas laterais, de mãos dadas, para dar uma sensação de segurança maior. Não há muretas de proteção nem nada nas laterais. E os dois viadutos que cruzamos no passeio são vazados, ou seja, não têm concreto, apenas os trilhos e os dormentes, sustentados por uma armação de metal. Ou seja, você enxerga lá embaixo entre um dormente e outro. O espaço não é suficiente para caber um pé, caso você erre o passo. Apenas no dormente mais próximo das pilastras de concreto, o vão é maior. Aliás, se não olhar pra baixo, facilita a travessia.  Cada trio saía assim que o outro grupo já estava na altura de um dos refúgios laterais do viaduto. Como falei, o trem ainda passa na ferrovia várias vezes ao dia. Se caso ele chegasse, deveríamos correr para um desses refúgios laterais, feitos de ferro (estão bem enferrujados). Assim, com um espaçamento entre cada trio, cada um estaria mais ou perto do próximo refúgio, em caso de necessidade. Ah, os refúgios são intercalados, um à direita, outro à esquerda, mas não sei por que os da esquerda (no sentido em que estávamos caminhando) não têm o chão, ou seja, só os da direita podem ser aproveitados para escapar.

Como eu estava sozinha, um casal de namorados se ofereceu para ser o meu trio, só que a guria quis ficar no meio dos trilhos. Dei os primeiros passos e achei que não ia conseguir ir até o final estando na lateral, com o vazio lá de baixo ao meu lado. Então, um cara de um trio de amigos jipeiros trocou de lugar comigo. Assim, fui no meio dos trilhos, o que me pareceu bem mais tranquilo. Sentia minha mão suar muito (não sei se era o calor do dia. Hehe) e não quis olhar muito para os lados. Achei meio tenso chegar perto das pilastras onde o espaço entre um dormente e outro era bem maior e também quando passamos por um dormente (são de madeira) que estava rachado fora a fora. Mas, deu tudo certo. Depois de atravessar, até voltei ao ponto estava o refúgio mais próximo para fazer fotos. O segundo viaduto deu medo igual, embora pareça que, no início, você já está mais acostumado. Nesse, eu atravessei de mãos dadas com um dos guias. Aliás, os guias são muito gente boa! Eles também ajudaram uma senhora que, ao chegar no primeiro viaduto, disse que não passaria. Mas, ela foi, sim. Todos foram.

Caminhada Ferrovia do Trigo

Para provar que atravessei! A travessia é feita em trios. Foto: Indiada Buena Aventuras

O trem não passou durante todo nosso percurso. Ainda bem! Se passasse num dos pontos da ferrovia em meio ao mato, ok. No túnel, deve assustar um pouco. Tem bastante espaço nas laterais, inclusive tem um degrau, um declive nos lados, mas ele deve fazer muito barulho e vento. Porém, imaginem no alto do viaduto? Toda aquela altura, você tem que correr e, mesmo chegando no refúgio, tudo deve tremer. Ai, Jesus! Perguntei para um dos guias se aconteceu de o trem passar durante uma caminhada. Ele me respondeu que no viaduto, nunca, mas, que, nos túneis e em outros pontos, sim.

Bom, o segundo viaduto marca também o fim do passeio. A partir dali, o grupo pegou uma trilha de dois quilômetros para sair da ferrovia. A van e o micro-ônibus aguardavam o grupo para nos levar até a propriedade de uma família no interior do município de Vespasiano Corrêa, onde nos serviram um café colonial maravilhoso! Fortaia, queijo e salame fritos, bolo, pão caseiro, milho cozido, batata doce, banana, suco natural, café! Imagina a fome do pessoal! Hehe. A caminhada durou cerca de quatro horas. Saímos de Bento meio-dia e pouco e retornamos ao munícipio por volta das 20h. Ah, tem gente que faz por conta essa trilha, inclusive, vários mochileiros percorrerem um trecho maior, passando por diversos municípios (há outros viadutos e túneis à frente) e acampando no caminho.

Turma da Indiada Buena Aventuras, que fez comigo o percurso pela Ferrovia do Trigo

Turma da Indiada Buena Aventuras, que fez comigo o percurso pela Ferrovia do Trigo

Quem organizou o nosso passeio foi a Indiada Buena Aventuras, de Bento Gonçalves. Todos os roteiros deles incluem caminhadas mais longas. Eles também organizam corridas de aventuras e acampamentos. O site deles é bem completo. Você faz um cadastro e também recebe por e-mail toda a programação, com o trechos, o nível de dificuldade (tem fácil, intermediário e difícil) e valores. A caminhada da Ferrovia é considerada intermediária, afinal, são 10 quilômetros, com uma subida no final. E parece mais difícil caminhar pelos trilhos, com cascalho grosso, do que em terrenos planos. Mas, achei bem tranquilo de vencer, mesmo com o calor. Fiquei cansada no final, mas não me doeu nada no dia seguinte (tenho um preparo considerável. Faço musculação e natação há anos). Paguei R$ 95 pela aventura, já incluído tudo, transporte, guias, café colonial no final e seguro. Os organizadores são muito gentis, respondem rápido e-mails e enviam todas as orientações necessárias. Desde de como pagar o valor por depósito bancário para quem não mora em Bento, passando pelo check-list do que levar (água, lanche, repelente, protetor e lanterna são indispensáveis nesse passeio), até curiosidades do trecho e a previsão do tempo para o dia. As caminhadas são programadas para fins de semana e feriados normalmente, e só não saem em caso de chuva forte. Você também pode montar um grupo com seus amigos da faculdade, da escola, da associação, da academia e sugerir uma data para um dos roteiros que eles organizam. Há alguns grupos fechados e outros que surgem do interesse de alguns amigos e depois são abertos ao público em geral para completar o número de participantes, além daqueles do calendário da Indiada. O ponto de saída é sempre uma empresa em Bento (nas proximidades das garagens da empresa de transportes Bento), mas, se tiver muita gente de uma cidade mais distante, a van também pode passar nessa cidade. Ou, se o roteiro ficar no caminho. Por exemplo, há rotas pelos Campos de Cima da Serra, então, é possível embarcar em Caxias do Sul. Há roteiros pelos cânions, pelo interior de São José dos Ausentes, de Bento Gonçalves e por outros túneis abandonados. Ah, essa da Ferrovia do Trigo tem ainda uma edição noturna, em épocas de lua cheia.  Também, mas com frequência menor, para a Chapada Diamantina, Monte Roraima e já teve edições internacionais, na Argentina e Chile. Os guias fazem fotos suas durante o passeio e enviam o link logo depois (eu recebi as minhas na segunda-feira). No site, há um espaço bem bacana, reservado, onde fica seu cadastro, com a contagem dos quilômetros das aventuras que você já participou. Porque, sim, a maioria volta. Do passeio que eu fiz, uma boa parte das pessoas já tinha ido em outras caminhadas, ou até mesmo nessa da ferrovia. E eu tô só pela minha próxima indiada também. Afinal, vencer medos e conhecer novas paisagens caminhando é sempre legal, né? J

 

 

Veja todas as minhas fotos da aventura: https://picasaweb.google.com/101126651209934567449/FerroviaDoTrigo020416?authkey=Gv1sRgCLWKzsHrr-39KA

Link para o vídeo que fiz no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=IOC6xsGwvX0

 

Como contatar a Indiada Buena Aventuras:

Site (super completo, tem todas as informações, valores, fotos e a programação das próximas aventuras): http://www.indiadabuena.com.br/

Facebook: https://www.facebook.com/IndiadaBuenaAventuras/?fref=ts

E-mail:  indiadabuenabg@gmail.com