Parque Temático Epopeia Italiana, em Bento Gonçalves (RS)

Imagens na fachada externa são novidades no parque. Foto: Kelly Pelisser

Primeiro cenário tem cartazes. Foto: Kelly Pelisser

Fui conhecer as novidades do Parque Temático Epopeia Italiana, em Bento Gonçalves (RS). O empreendimento é uma espécie de museu da imigração italiana no Rio Grande do Sul que já existe há 14 anos, mas foi agora reformulado. Com a ajuda de cenários, um filme e um ator que conduz os visitantes, a história do casal Rosa e Lázaro Giordani, que saiu da Itália em busca de uma vida melhor no Brasil, é recontada.

Vila italiana é reproduzida. Foto: Kelly Pelisser

A reforma foi feita por uma empresa especializada de Canela (RS), a D’Arte Multiarte, e envolveu 50 pessoas, que trabalharam na parte da noite, já que o parque não fechou em nenhum momento para a revitalização. O sistema de som e luz é totalmente novo, assim como o filme que é exibido em trechos ao longo do percurso. As falas do ator que interpreta Lázaro e conduz os visitantes também são novas, da mesma forma que algumas casas e detalhes dos cenários, que ficaram mais humanizados – como essa empresa de Canela destacou – com roupas nos varais, por exemplo, para dar uma cara de algo mais real. Outra novidade são uns painéis lindos com fotos no lado externo do parque.

Cenário onde neva artificialmente. Foto: Kelly Pelisser

Ator que interpreta Lázaro conta a história da construção da casa em Bento Gonçalves. Foto: Kelly Pelisser

Uma das casas tem parte aberta para mostrar o interior. Foto: Kelly Pelisser

O passeio é feito em horários determinados e o melhor, segundo a Giordani Turismo que opera a atração, é agendar com antecedência. A duração é de cerca de meia hora. No primeiro espaço, onde estão cartazes que reproduzem as propagandas sobre a América e roupas de época, o visitante vê um trecho que resume a história da imigração italiana com imagens antigas. A partir de então, é conduzido pelo guia-ator que interpreta Lázaro, que primeiro para em um cenário que reproduz uma vila italiana, com igrejinha e fonte (bem típica. Quem conhece a Itália identifica na hora). A seguir, seguem todos para um segundo cenário, que representa uma casa de interior na Itália, onde neva artificialmente por alguns instantes, dando um efeito muito bonito. Ali, os visitantes sentam para ver a primeira parte do vídeo que conta a história dos sonhos de Lázaro e Rosa. Na sequência, os turistas entram em um cenário-navio, com telas que primeiro reproduzem o mar e depois dão sequência à história do jovem casal de imigrantes. O próximo local mostra uma mata fechada, tal e qual os italianos encontraram quando chegaram na Serra gaúcha. Em seguida, passa-se a uma pequena vila que remonta as casas construídas pelos imigrantes. Seguindo, está a reprodução do centro de Bento Gonçalves em épocas passadas (mas já com a igreja Santo Antônio e várias casas que existem até hoje). Por fim, há um último cenário com um coreto, onde é feita a despedida. Ali, há uma loja de souvenirs, um espaço para tirar fotos com roupas de época e também está uma foto do casal Rosa e Lázaro de verdade, que são bisavós da família proprietária do empreendimento, junto com um baú que eles trouxeram da Itália.

Cenário reproduz Bento Gonçalves de antigamente, mas já com a igreja Santo Antônio. Foto: Kelly Pelisser

O texto da história é bem otimista, embora cite algumas das dificuldades encontradas pelos italianos nas novas terras. Os cenários são bonitos e bem estruturados. Para quem não conhece a história da imigração vale para ter um resumo. Para quem já conhece vale pela estruturação cênica.

Baú é o original trazido pelos imigrantes Rosa e Lázaro da Itália. Foto: Kelly Pelisser

Foto de Rosa e Lázaro reais. Foto: Kelly Pelisser

 

Parque Temático Epopeia Italiana

Onde fica: Rua Visconde de São Gabriel , 507, bairro Cidade Alta, Bento Gonçalves, RS

Horários: diariamente, das 8h às 18h

Ingressos: R$ 25 (crianças até cinco anos não pagam. A partir de 6 anos, a entrada é o preço normal)

Mais: site e Facebook

 

 

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Filó de Vila Flores, RS

Cantoria no filó de Vila Flores é acompanhada por gaitas. Foto: Kelly Pelisser

É muito provável que você já conheça a história dos imigrantes italianos, que saíram do norte do país europeu, fugindo da miséria no final do século 19, em busca da promessa de riqueza no continente americano. Mas você nunca ouviu do jeito em que contam no Filó de Vila Flores, RS. O grupo animado resgata a memória da imigração e dos filós, as reuniões noturnas para comer, beber, conversar e rezar, dos descendentes desses primeiros imigrantes. A função rola à noite, apenas por agendamento, para grupos. Para se ter uma ideia de como a atração é popular: não há mais datas disponíveis para grupos nas sextas e sábados até o fim de 2017 e já há dias de 2018 reservados.

Tudo começa com a história da imigração italiana. Foto: Kelly Pelisser

As estrelas do filó são pessoas da própria comunidade de Vila Flores, que durante o dia trabalham, realizam os afazeres de casa, e à noite transformam a habitação de madeira com porão de pedra, quase às margens da BR-470, em palco de uma pequena Broadway da colônia. A maioria deles são idosos, lá pelos 70 anos, mas têm energia de sobra. Parecem se multiplicar, para cantar, preparar comida, recolher e lavar os pratos que somem por encanto. Como se a polenta tivesse uma dose de Red Bull como ingrediente especial.

Tem polenta! E a música da Bella Polenta. Foto: Kelly Pelisser

Os visitantes são recebidos à luz de lampião e com grostolis no lado de fora da casa e acomodados em cadeiras no piso inferior da residência, também apenas com a luz de lampiões, para lembrar dos tempos em que se fazia filó, mas ainda não havia energia elétrica. Aí, se segue um teatro, misto de musical, para contar a saída dos imigrantes da Itália e a chegada ao Brasil. A interpretação dos nonninhos é demais! O que vem na sequência é uma festa animada, com música cantada ao vivo e tocada em gaitas. Depois, começa o jantar, com polenta mole, acompanhada de molho de frango ou de guisado, salame, queijo, grostoli, bolos, pão, vinho (servido num barrilzinho) e suco. Um pequeno intervalo onde os visitantes são convidados a conhecer a Casa do Artesão, no piso superior da residência, onde são vendidos artigos de palha, chapéus, toalhas e itens de decoração. Na volta, tem mais música, pinhões assados na chapa do fogão à lenha, chá, jogo de mora e piadas bem pesadas contadas pelo velhinhos. Ah, vou dar um spoiler: nessas músicas da reta final, tem até uma senhora que tira a calcinha. A interpretação dela é primorosa. Também tem um brincadeira usando um chinelo triplo, feito com uma tora de madeira, em que três pessoas calçam e tentam andar juntas. Tentam, porque os velhinhos do filó conseguem na boa. Mas os visitantes costumam cair ou não sair do lugar. Rende boas risadas.

Mesa com comida fica ao centro. As pessoas se servem e sentam em cadeiras ao redor. Foto: Kelly Pelisser

E mais comida. Foto: Kelly Pelisser

O filó funciona apenas por agendamento. Para reservas, é necessário um depósito antecipado. O valor do ingresso adulto é de R$ 80 por pessoa. Crianças de até seis anos não pagam e de 7 a 12 anos pagam R$ 40. É aceito pagamento em dinheiro ou cheque. O filó, normalmente, começa às 19h30min e tem duração de três horas e meia. Grupos devem ter, no mínimo, 40 pessoas e, no máximo, 80 pessoas. Quem estiver sozinho, em casal, ou num pequeno grupo de amigos, pode tentar se encaixar em grupos já agendados. Para as sextas e sábados, até o fim de 2017, não há mais vagas para grupos grandes, mas se você estiver em poucas pessoas pode tentar ver se não há lotação máximo no dia em que você pretende ir. É uma experiência que vale demais à pena. Mesmo se você já conhece a história da imigração e as músicas italianas tradicionais, não tem como ficar indiferente. É engraçado, é surpreendente. Apenas um conselho: vão. E se divirtam.

Esse é o chinelo triplo que rende risadas. Foto: Kelly Pelisser

Na parte de cima da casa onde rola o filó, tem venda de artesanato. Foto: Kelly Pelisser

 

Filó de Vila Flores

Onde: Rua Luiz Roncatto, 31, bairro São Luiz, próximo à BR-470, Km 117, Vila Flores, RS

Horários: Acontece à noite, normalmente, com início às 19h30min, e duração de 3h30min. É feito apenas sob agendamento. Para sextas e sábados, até o final de 2017, não há mais vagas para grupos.

Contato: (54) 99167.0633 ou (54) 3447.1195

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