Festival Internacional de Folclore de Nova Prata (RS)

Eu sempre tinha ouvido falar muito bem do Festival Internacional de Folclore de Nova Prata (RS), mas só nesse ano consegui acompanhar o evento. E posso dizer: é ainda mais encantador do que eu imaginava! Viajei à Nova Prata a convite da organização do festival, que nos apresentou um pouco das belezas da cidades, além de nos permitir acompanhar as apresentações de sábado, considerada a noite de gala do evento.

Rússia. Foto: Fabiane Marchesini, divulgação

Nesse ano de 2019, o Festival de Folclore de Nova Prata teve cinco dias, de quarta a domingo, entre 11 e 15 de setembro. O evento existe há 20 anos e essa foi sua 15ª edição. A organização é do grupo de dança de Nova Prata Bailado Gaúcho. Nos últimos tempos, a festa tem sido anual, sempre por essa época. Ao todo, 12 países, incluindo o Brasil, se apresentaram nessa edição. A grande novidade é que pela primeira vez Nova Prata abrigou um Campeonato oficial da FIDAF, a Federação de Festivais Internacionais de Dança Folclóricas. Seis países participaram da competição e se apresentaram todas as noites, cada vez com figurinos e coreografias diferentes. Mas, em três noites, de sexta a domingo, é que as coreografias valiam notas do juri técnico e do público para definir os campões. O público podia votar por meio de um aplicativo para celular até uma hora após o encerramento de cada uma das apresentações. A competição envolvia seis países: Romênia, Rússia, Filipinas, México, Eslováquia e Bulgária. Já outros cinco países eram convidados e fizeram apresentações fora da competição, cada um em um dia do festival: Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai e Colômbia. A cada noite, o Bailado Gaúcho, grupo que organiza o evento, abre a programação e realiza também um outro número, diferente a cada dia, no palco. A apresentação de abertura deles foi linda, onde bailarinos sentados em meio ao público começavam a dançar e subiam no palco, seguindo a linha do tema do festival nesse ano “Todo artista tem de ir aonde o povo está”.

Búlgária. Foto: Fabiane Marchesini, divulgação

Depois de apresentações de grupos locais de Nova Prata, começa o show dos competidores. Todos são incríveis! Com figurinos coloridos e impecáveis, maquiagem apurada, e giros, piruetas e passos que contam um pouco da história desses países. É de tirar o fôlego. Cada grupo tem oito minutos para realizar sua apresentação. Nesse tempo, entram em cena diversos quadros em sequência, que conversam entre si. Nesse ano, vários países tinham traços em comum, por serem do leste europeu, mas, mesmo nesses, se percebem as características únicas de cada local. Embora eu tenha gostado muito de todos, os meus três preferidos foram os que ganharam os principais prêmios ao final da última noite, no domingo. A Rússia (State Dance Ensemble), multicolorida, acrobática e alegre, foi a campeã do voto popular (o que não foi surpresa, porque o povo de Nova Prata sempre manifestou seu amor pelos russos) e também levou uma menção honrosa do juri. Já no juri técnico, o México (Companhia Titular de Dança Folclórica da Universidade Autônoma de Nuevo León) levou o segundo lugar (com seu ritmo latino alegre, saias cheias de babados, apresentaram uma dança no sábado com homens com facões e mulheres com copos de água na cabeça). O grande vencedor do juri técnico foi as Filipinas (Companhia Nacional de Danças Folclóricas Bayanihan), que, no sábado, trouxe um ritmo forte, marcado, preciso, mas também delicado. A melhor música e melhor figurino ficaram para o Conjunto Folclórico Nacional da Transilvânia, da Romênia. A Bulgária (Folk Dance Ensemble “Sofia-6”) venceu como melhor coreografia. Já o prêmio especial do júri foi para a Eslováquia (Folklore Ensemble Jurosík).

Eslováquia. Foto: Fabiane Marchesini, divulgação

O ginásio do bairro Santa Cruz, onde ocorrem as apresentações, tem 1,8 mil lugares e lota sempre! Os ingressos são super acessíveis. Em 2019, custavam de R$ 8 a R$ 16 para as arquibancadas, e de R$ 12 a R$ 20 para as cadeiras. Mas é bom, especialmente para a noite de sábado, comprar com bastante antecedência, assim que for lançada a venda.

Romênia. Foto: Fabiane Marchesini, divulgação

O festival não se limita ao ginásio das apresentações à noite. Toda a cidade, durante todo o dia, vive o evento. Atividades paralelas são realizadas na praça central, a Feira do Livro e a Feira de Gastronomia, onde restaurantes da cidade trazem seu cardápio tradicional, além de pratos preparados especialmente para o festival. Circulando por lá, era possível comer sushi, tacos, burritos, donuts, burgers, pizzas, sorvete tailandês e bolinho de erva-mate, entre outras opções. Ali, junto aos restaurantes, também fica um palco onde talentos locais se apresentam. E, do ladinho, no prédio do Grêmio Pratense, estava acontecendo uma Feira de Artesanato, com trabalhos de artistas da região. No domingo pela manhã, foi realizada uma cerimônia ecumênica, com todos os grupos internacionais, para celebrar a paz.

Filipinas. Foto: Fabiane Marchesini, divulgação

O clima na cidade é muito gostoso durante o festival. Nova Prata se transforma. São 300 artistas envolvidos nos espetáculos. Uma boa parte deles fala idiomas que a maioria da população não conhece, mas isso não impede a confraternização e a curiosidade por aquela gente que veio de tanto longe para mostrar sua arte em Nova Prata. A cidade fica com um jeito cosmopolita, globalizado e mágico. É impossível ver as apresentações e não querer voltar no próximo ano! Afinal, a arte é uma linguagem universal.

México. Foto: Fabiane Marchesini, divulgação

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