Família Lemos de Almeida Vinhas e Vinhos, nos Campos de Cima da Serra

Vinhedos ficam no município de Muitos Capões. Foto: Kelly Pelisser

Conheci a vinícola Família Lemos de Almeida Vinhas e Vinhos, nos Campos de Cima da Serra. A empresa tem um varejo bem no Centro de Vacaria e os vinhedos ficam no interior de Muitos Capões. O empreendimento está localizado na Fazenda Santa Rita, que dava nome à vinícola. Mas a denominação foi alterada para dar mais destaque à família proprietária e suas origens açorianas. O lugar é lindíssimo, com vinhedos cultivados pelo sistema espaldeira, um lago e construções que são réplicas de prédios icônicos da cultura dos Açores.

Área de 12 hectares tem oito variedades de uvas. Foto: Kelly Pelisser

A vinícola existe desde 2016, mas a primeira safra foi em 2012. São 12 hectares de vinhedos, onde são plantadas oito variedades. Nesse ano, a casa lançou quatro vinhos de castas portuguesas: Alvarinho, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Verdelho. Há todo um cuidado com a pré-seleção dos melhores cachos e grãos ainda nos vinhedos nas semanas que antecedem a colheita. A vinícola não tem mesa de seleção no recebimento das uvas – como é comum, porque todo esse trabalho já foi feito direto no pé da fruta. Eles também investem em pesquisa, com pequenos tanques onde testam os melhores processos e cortes. Há ainda um laboratório que faz centenas de análises e aponta, entre outras coisas, o ponto ideal de maturação da uva para a colheita. A Lemos de Almeida também é autossustentável e investe em energia solar e no tratamento dos resíduos lá mesmo. Por exemplo, resíduos sólidos viram compostagem.

Prédio principal da vinícola faz homenagem à construção de Florianópolis da cultura açoriana. Foto: Kelly Pelisser

A casa conta com 17 vinhos e espumantes. Eles podem ser comprados nos dois varejos, um no centro de Vacaria e outro junto aos vinhedos. Na fazenda, há prédios lindos que reproduzem construções feitas por açorianos. O prédio da vinícola é uma homenagem à antiga alfândega, de Florianópolis. Há ainda uma capela que remonta a igrejinha construída por açorianos também na capital de Santa Catarina, na Lagoa da Conceição. A vinícola conta ainda com um moinho de vento, réplica de uma construção localizada em uma das ilhas dos Açores.

Igreja em homenagem à Santa Rita, também réplica de prédio de Florianópolis. Foto: Kelly Pelisser

Para visitar os vinhedos, é necessário agendamento. Grupos com 12 pessoas ou mais podem combinar o passeio. Mas a casa também oferece uma data, de tempos em tempos, onde qualquer pessoa (mesmo estando sozinho ou num casal, por exemplo) pode fazer o agendamento. O passeio sai do varejo da vinícola, em Vacaria, e vai até Muitos Capões (são 40 minutos a partir de Vacaria, sendo que há uns 12 quilômetros de estrada de chão). Nos vinhedos, o turista passeia num trenzinho puxado por um trator e conhece as construções e a história da família Lemos de Almeida, assim como a da própria imigração açoriana para o Sul do país. A visita custa R$ 80 por pessoa (sendo que R$ 20 são revertidos em produtos no varejo). O lugar não tem restaurante ou pousada, mas há planos de construir esses espaços no futuro.

Moinho réplica de construção dos Açores. Foto: Kelly Pelisser

O passeio é encantador. O lugar é realmente lindo e os produtos da vinícola são ótimos! Vale a pena explorar esse canto do Rio Grande do Sul nem tão conhecido dos turistas. É garantia de deslumbramento e de ótimas fotos.

Pôr do sol. Foto: Kelly Pelisser

Mais uma do fim do dia. Foto: Kelly Pelisser

Prédio principal da vinícola faz homenagem à construção de Florianópolis da cultura açoriana. Foto: Kelly Pelisser

Família Lemos de Almeida Vinhas e Vinhos

Onde fica: o varejo da vinícola (de onde saem os passeios para os vinhedos no interior de Muitos Capões) fica na Av. Militar 858, Centro, Vacaria, RS

Telefone: (54) 3232.0563

Mais: Facebook da Lemos de Almeida

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Pico do Monte Negro, em São José dos Ausentes, o ponto mais alto do RS

 

O Pico do Monte Negro, o ponto mais alto do RS, é aquele morro ali. Foto: Kelly Pelisser

Decidi passar um aniversário diferente. No final de semana em que completava mais um ano de vida, fui com o pessoal da Indiada Buena Aventuras para uma excursão para conhecer os cânions de São José dos Ausentes e o Pico do Monte Negro, o ponto mais alto do RS, que fica na cidade, bem na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. A saber: todos os cânions de Ausentes ficam dentro de propriedades particulares, onde há pousadas, e só podem ser acessados via estradas de chão.

Cânions ao lado do pico do Monte Negro. Foto: Kelly Pelisser

O grupo saiu de Bento Gonçalves às 3h30min do sábado, dia 20 de maio, e passou para me buscar em Caxias do Sul, de onde seguimos até São José dos Ausentes. Chegamos na cidade pouco antes das 8h. De Caxias ao centro de Ausentes são cerca de 200 quilômetros. Do Centro até nossa primeira parada, a Fazenda Ecológica dos Cânyons, onde está localizado o cânion da Boa Vista, foram mais quase duas horas no micro-ônibus. Em distância, são cerca de 40 quilômetros em estrada de chão, que está em condições razoáveis. Tomamos um baita café da manhã na pousada (por R$ 25), com direito a frutas, bolos de muitos sabores, pães, frios, suco e café.

Do primeiro dia, na tentativa de ver o Cânion da Boa Vista, a neblina deu as caras. Foto: Kelly Pelisser

Ainda durante o café, por volta das 10h e pouco, a neblina baixou. Iniciamos a caminhada em torno das 11h não vendo nada, e assim foi até o fim do caminho. Chegamos na borda do cânion da Boa Vista, mas não vimos nada além do branco total à frente. Almoçamos ali mesmo com o que cada um trouxe de casa. A ideia era percorrer 16 quilômetros no total, mas, como não dava pra ver nada mesmo, fizemos menos, cerca de 12 quilômetros. O pessoal de Ausentes me disse que a neblina baixa mais em dias quentes. Estava em torno de 15ºC, o que para a cidade, é muito quente. No verão é bem mais comum ter neblina do que em dias frios de inverno. Voltamos, com chuva também pelo caminho. Então, pegamos estrada de chão de novo, em torno de 1h40min de viagem de micro-ônibus, para ir até a Pousada Aparados da Serra, onde passamos a noite.

Esse é o pátio da Pousada Aparados da Serra. Foto: Kelly Pelisser

A Pousada Aparados da Serra fica no mesmo terreno onde está o pico do Monte Negro, o ponto mais alto do Estado, e os cânions do entorno. O pico está a 1.410 metros do nível do mar. A pousada é bem simpática e aconchegante e tem lareira para aquecer os dias frios (lá sempre é mais frio do que em outras regiões do Estado, inclusive do que a Serra). Tem uma casa maior, onde ficam alguns quartos, e chalés do lado de fora. Os quartos que têm banheiro custam R$ 200 por pessoa a diária, com café da manhã, almoço e janta incluídos. Os quartos que não têm banheiro saem por R$ 175 por pessoa. Reservando com antecedência, pra quem não é hóspede, dá para conhecer os cânions e almoçar na pousada por R$ 35 por pessoa. Se quiser passear a cavalo, fica R$ 50 por pessoa.

A ideia era ver o sol nascer no Pico do Monte Negro no domingo. Dá para chegar perto dele com o veículo e só subir um último trecho a pé. Acordamos às 5h, mas nem chegamos ir até lá porque o tempo estava totalmente fechado. Depois de um café da manhã excelente na pousada, o nosso grupo se dividiu em dois, uma parte que percorreu a pé o trecho de 10 quilômetros que separa a pousada e o Pico do Monte Negro, e outro que foi a cavalo por um trajeto maior para nos encontramos no final. Eu fui a cavalo, mesmo tendo um pouco de medo. Depois de cerca de uma hora e meia, chegamos ao ponto mais alto do Estado. O pico em si é apenas um morro coberto de árvores. Mas o cânion ao lado é realmente impressionante. Nesse dia, o tempo colaborou. A paisagem até lá é de campos e coxilha, muito linda também. Tanto no Monte Negro, quanto no Cânion Boa Vista (que a gente tentou ver no sábado), foram gravadas novelas da Globo como Além do Tempo e O Profeta.

Ainda quando a gente apreciava e fazia fotos do Boa Vista, o tempo fechou, a neblina subiu rapidamente e começou a chover. Voltamos para a pousada então, para um banho e para almoço (com paçoca de pinhão e outras delícias da culinária regional. A comida é um atrativo à parte!).

Recomendo demais conhecer São José dos Ausentes. Essa região dos cânions é absurdamente linda! Quero voltar para ver o Boa Vista e também outros pontos do interior, com cachoeiras e cânions, que não conheci. O lugarzinho é abençoado pela natureza e a comida é boa demais! A excursão com a Indiada Buena Aventuras custou R$ 315 por pessoa, incluindo a pousada, o transporte, guia e seguro, mais R$ 25 pelo café da manhã na primeira fazenda, e R$ 50 para andar a cavalo no segundo dia. Um aniversário realmente inesquecível!

 

Saiba mais:

Indiada Buena Aventuras: site e Facebook

Pousada Aparados da Serra, no Pico do Monte Negro: site e Facebook

Pousada Ecológica dos Canyons, no Cânion da Boa Vista: Facebook