Buenos Aires: as principais atrações da cidade

Escrevi esse texto originalmente em outubro de 2013, depois de ter voltado de uma viagem de férias a Buenos Aires, na Argentina. É bem o básico do básico para quem nunca esteve na Capital do país vizinho. Como já faz uns anos, algumas dicas podem estar desatualizadas, mas, creio que a maioria ainda vale.

Casa Rosada. Foto: Kelly Pelisser

Casa Rosada. Foto: Kelly Pelisser

Nos cinco dias em que estive em Buenos Aires, consegui percorrer as principais atrações da cidade. Acho que quatro dias são mais do que suficientes, se você não quiser ir ao Zoológico de Luján, por exemplo.

O famoso Caminito é apenas uma pequena rua, no bairro da Boca (um pouco mais afastado do Centro). Toda feita para turistas, tem restaurantes e lojinhas para vender lembrancinhas. As casas são bem coloridas, lembrando os cortiços de imigrantes pobres, feitos com pedaços de contêineres velhos (por isso, tinham muitas cores). Dá para fazer umas fotos legais, mas não vi muita graça nesse lugar, lotadíssimo de turistas e de gente querendo te oferecer de tudo.

Indo para o Centro, na Plaza de Mayo, tem várias coisas pra ver. Recomendo ir num final de semana, porque aí é possível visitar a Casa Rosada. A sede do governo abre nos sábados e domingos para turistas e o passeio guiado é de graça (ou pelo menos, abria em 2013. É bom dar uma checada antes, porque entendi que visitas guiadas agora são só para escolas ou organizações). Assim que você entrar no pátio das Palmeiras (é lindo!) vá até a porta onde uma moça distribui fichas para o passeio. Pegue logo a ficha porque talvez você tenha que esperar muito tempo até o próximo horário livre. A Casa Rosada tem salões lindos. Um dos pontos altos é a sacada para a Plaza de Mayo, onde já discursaram presidentes e onde a Seleção Argentina que tinha Maradona como estrela principal comemorou a Copa do Mundo. Em algumas salas, a presença de Evita Perón ainda paira. Há quadros, fotos e a escrivaninha da ex-primeira-dama preservadas.

Ao redor da Plaza de Mayo, também ficam o Museu Cabildo e a Catedral Metropolitana. A igreja é muito bonita por dentro e a visita é grátis. Na Catedral, fica o túmulo do general San Martín, vigiado permanentemente por dois guardas. O general lutou para a independência da Argentina e também do Chile e Peru. Atrás da Casa Rosada, fica o Museu do Bicentenário, que também pode ser visitado gratuitamente.

Pelo Centro, dá para dar uma passada também no Obelisco, monumento símbolo de Buenos Aires, no encontro das avenidas 9 de Julio e Corrientes. Não muito longe, ficam a Calle Florida, rua de comércio, onde passam apenas pedestres (tem um pouco de tudo, mas nada muito emocionante. E muita gente oferece câmbio pela rua, mas não caia nessa). A Florida é uma das quatro entradas das Galerias Pacífico, um shopping com uma arquitetura linda. Não muito longe daí, fica o Café Tortoni, super tradicional ponto de Buenos Aires, que tem 155 anos e é chiquérrimo. Eu pedi o básico, chocolate quente e churros.

Uma vizinhança próxima do Centro e linda é a Recoleta. Nos finais de semana, tem uma feira meio hippie na pracinha. Não é muito grande, mas o melhor é sentar no gramado no sol e ficar apreciando o dia. Ali do ladinho tem o Buenos Aires Design, um shopping muito legal, focado em artigos de decoração. Logo ao lado tem a igreja e o cemitério da Recoleta. O cemitério é onde estão enterradas famílias super tradicionais de Buenos Aires, incluindo o túmulo dos Duarte, onde está o corpo de Eva Maria Duarte Perón, a Evita. Esse túmulo dela é bem simplesinho, do lado esquerdo do cemitério, a partir da entrada principal, de mármore negro. Mas há tumbas enormes, quase igrejas, com estátuas gigantes, colunas gregas, cúpulas e tudo mais. Há tours guiados grátis, duas vezes por dia, pelo menos, de quartas a sextas. No finais de semana, tem que consultar horário, é meio irregular. Uma curiosidade desse cemitério é que os caixões estão expostos dentro dos mausoléus. Naquele espaço onde no Brasil, costumam ficar fotos e flores, estão os caixões em prateleiras. Alguns, estão cobertos com panos, outros, não. Fora do cemitério, há vários lugares bem bacanas para comer. Sugiro um sorvete da Freddo de dulce de leche (doce de leite). Aliás, não saia da Argentina sem provar! É muito, muito bom!

Pela noite, fui num show de tango. Os dois que mais oferecem para os turistas são o Esquina Carlos Gardel (mais tradicional) e o Señor Tango (mais estilo Broadway). Mas há milhões de opções (mais baratas, inclusive. Pesquise). Optei pelo Señor Tango. É bacaninha o show. A troca de palcos é rápida. O show começa com dois sujeitos entrando a cavalo no palco, caracterizados de índio e de gaúcho. Depois, além de muitos casais dançando, há bailarinas que voam suspensas por cordas e até um dueto de um cantor ao vivo com o Roberto Carlos no telão (sim, prova de que só há turistas brasileiros por lá). O show termina com No Llores Por Mi, Argentina. Ops, spoiler. Sorry.

No domingo, andei pela região de Puerto Madero, um antigo porto, reformulado, com restaurantes, casas noturnas, etc. De dia, muita gente vai lá para caminhar, correr. Mas, é pela noite que ferve. Domingo é dia de Feira de San Telmo. Nesse bairro, quadras e quadras da Calle Defensa são ocupadas por barraquinhas que vendem de tudo. Sugiro deixar as compras da viagem para ali. Ao longo da rua, você encontra também a estátua da Mafalda, a personagem do argentino Quino. Ela está sentadinha num banco na esquina da Defensa com Chile. Ao arredor da Plaza Dorrego, estão concentradas as barraquinhas que vendem antiguidades. Mas, pelo bairro, também se acham vários antiquários e há também um mercado.

Na segunda-feira, visitei o Teatro Colón, fica bem no Centro e é lindo! Demorou vinte anos para ser construído, teve a mão de três arquitetos, dois italianos e um belga e a maioria dos materiais veio da Europa. No teto de algumas salas, tem ouro de verdade e lustres que pesam toneladas. Para visitá-lo, estrangeiros pagam 110 pesos. O turistas conhece alguns salões e a platéia. Mas não dá para visitar os três andares de subsolo, onde são feitos os cenários e as roupas das óperas.

No mesmo dia, conheci também a livraria El Ateneo. Localizada na Avenida Santa Fé, a livraria tem mais de 100 anos e a forma de um teatro. No palco, fica um café. Onde ficaria a platéia e nos camarotes, há livros. Para encerrar a segunda, peguei um táxi até Palermo Viejo. O bairro de Palermo, endereço de ricos, tem várias divisões: Soho, Hollywood, Chico. A parte de Palermo Viejo é bacana, especialmente ao redor de umas pracinhas, onde há bares e restaurantes com mesinhas na calçada.

El Paseo Del Rosedal. Foto: Kelly Pelisser

El Paseo Del Rosedal. Foto: Kelly Pelisser

Conheci o Zoológico de Luján, o que merece um post à parte. Pela tarde, ainda fui na região dos bosques de Palermo, uma enorme área verde no meio da cidade super agitada. Ali, há muitos parques. Visitei dois que são de graça. O Jardim Botânico, que é um encanto! E um dos parques mais lindos que já vi, comparável aqueles da Europa, El Paseo Del Rosedal. É lindo, lindo, lindo! Tem fontes, lagos, com ponte e um jardim enorme de rosas, de vários tipos e cores. Rende fotos maravilhosas e horas agradáveis.

Buenos Aires tem, sim, um quê de Europa, mas também tem muito da pobreza da América do Sul

Anúncios

Buenos Aires, Argentina: algumas dicas gerais

Caminito Buenos Aires Argentina

Em algum lugar no Caminito. Foto: Kelly Pelisser

Eu escrevi esse texto em 2013, depois de ter visitado Buenos Aires, na Argentina, mas acredito que a maioria das dicas ainda vale.

Passei seis dias em Buenos Aires em outubro de 2013 (ok, descontando os vôos de ida e volta, foram cinco dias, na verdade). Como toda cidade grande, tem lugares lindos e outros bem trash. Dizem que Buenos Aires é o que há de mais parecido com a Europa na América do Sul. Olha, até tem alguns prédios e lugares que lembram, sim.

Eu fiquei no Centro, o que não recomendo. Apesar de ser fácil para se deslocar (dá para fazer boa parte do roteiro turístico a pé), como todo Centro de cidade grande, tem muitos mendigos e, à noite, tem ruas vazias que dão um pouco de medo. Os bairros que mais gostei foram a Recoleta e Palermo. Mas, são um pouco mais longe.

Buenos Aires tem metrô (o subte), mas ele não abrange toda a cidade (como em Londres, Madrid ou Paris, onde se pode ir de metrô para qualquer lugar). Andei de metrô e é bem tranquilo, além de ser barato. Táxis têm muitos, muitos mesmo. A minha impressão é que a cidade tem mais táxis do que veículos de passeio. Você não vai esperar mais do que dois ou três minutos por um, na maioria dos lugares. E são relativamente baratos, mais do que no Brasil, ao menos. Pela internet se fala (e um guia turístico local também me disse) que os taxistas passam notas falsas. A dica é pegar carros de alguma empresa de rádio-táxi, tidos como mais confiáveis (você reconhece porque eles têm uma plaquinha em cima dizendo que é do rádio-táxi, ou com nome ou número da empresa). Outra dica: dê o endereço exato de uma esquina, separando os nomes das ruas com “y” (“e”, em espanhol) para parecer que você conhece a cidade. Exemplo: Defensa y Chile (esquina das ruas Defensa e Chile). Usei táxi e não tive problema algum. De ônibus, eu não andei, mas sei que, para uma viagem única, é preciso ter moedas para pagar (não se aceitam notas nos ônibus). Para quem ficar mais dias e quiser andar de ônibus e metrô, pode fazer um cartão Sube e recarregá-lo depois com o valor que quiser (tem em quiosques e shoppings. Dá para recarregar nas bilheterias de metrô). Eu não tentei também, mas tem serviço de bicicletas, que podem ser usadas por turistas de graça.

Sobre dinheiro, o real e o dólar são bem valorizados. Muitos restaurantes e lojas os aceitam como pagamento por um câmbio acima do oficial. Sugiro trocar algo no Brasil (já que taxistas, por exemplo, só aceitam pesos), mas usar a moeda brasileira para pagar (sempre pergunte qual o câmbio que o restaurante oferece) ou, ao menos, para trocar lá. Se conseguir alguém de confiança (não aquelas pessoas que oferecem nas ruas, pelamordedeus), é feita a troca por um câmbio paralelo, maior que o do banco ou de casas de câmbio. Outra dica que esse guia local me deu para evitar que os taxistas fiquem com uma nota alta (de cem pesos) suas e lhe troquem por outra falsa dizendo que é a sua e que não vale nada: marcar uma estrelinha nas suas notas. Se o taxista (ou garçom) lhe devolver dizendo que é falsa, veja se tem a sua estrelinha: se não tiver, reclame. Ah, em alguns lugares, chiam para trocar notas de cem pesos em uma compra com um valor menor do que 50.

Na Argentina, há muitos, muitos turistas brasileiros. Você ouve português por todos os lados. E, por isso, boa parte dos argentinos que trabalham com turismo falam português ou um portunhol. Num city tour que eu fiz, por exemplo, o guia argentino dava preferência ao português, mas no grupo tinha também chilenos e espanhóis (o que não achei muito bacana). Eu falo espanhol, e muitos vezes, ao dizer que era brasileira, já saiam falando em português (ou num português improvisado), mas eu queria mesmo era falar em espanhol (ou castellano)!

O clima é parecido com o Rio Grande do Sul. Vi turistas de Estados mais quentes do Brasil usando casacões de lãs em dias em que eu estava de blusa de manguinha. Fui em outubro, quando ainda há dias um pouco mais fresquinhos, mesmo com sol.

Uma coisa que me ajudou muito por lá foi um aplicativo do TripAdvisor que eu baixei no meu celular. O app funciona offline, incluindo o mapa, o que é ótimo. É claro que não dá para procurar o que há por perto ou incluir dicas suas sem internet, mas a parte offline já auxilia muito a se localizar e ver atrações mais bem avaliadas por outros usuários.

Como ligações internacionais são caras, dá para usar orelhões (embora não vi muitos além daqueles de shoppings) ou os locutórios (cabines telefônicas, normalmente oferecidas em espaços onde também há computadores para uso de internet. São bem mais baratas do que usar seu celular no Exterior e são fáceis de achar).