Oktoberfest de Munique, na Alemanha

 

Área do parque da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

Área do parque da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

A Oktoberfest original e mais famosa do mundo começa essa semana. Isso mesmo, a Oktoberfest de Munique, na Alemanha, na verdade é em setembro, não outubro. Para ser mais exata, sempre começa na segunda quinzena do nono mês do ano e acaba nos primeiros dias de outubro. Neste ano, será de 17 de setembro a 3 de outubro. A Otkoberfest é uma grande festa com comida e bebida (cerveja, claro) e brincadeiras, num clima bem família. Nas duas semanas, vão cerca de seis milhões de visitantes. Sim, seis milhões de visitantes e mais de seis milhões de litros de cerveja consumidos! E, acredite, tudo é muito na paz. Fui em 2015 e não vi nenhuma briga, ninguém me incomodou. E olha que a cerveja só é vendida em litro. Ah, detalhe: não se paga para entrar no parque. Você paga apenas o que consumir. A festa ocorre numa área, relativamente perto do Centro, e com um metrô que para exatamente ao lado.

Área interna de uma das tendas da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

Área interna de uma das tendas da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

Praticamente metade do terreno é um grande parque de diversões, com brinquedos gigantes para crianças e adultos e barraquinhas de brincadeiras (tiro ao alvo e outras, estilo aquelas de filme americano) e de comida. Nessas barraquinhas, dá para comprar os famosos pães com salsicha (há muitos tipos e o cardápio só está escrito em alemão) e outros lanches. Eu amo as amêndoas e outros grãos caramelizados com açúcar que são vendidos em cones de papel nas barraquinhas e os biscoitos em forma de coração com inscrições que vem com um fio para pendurar no pescoço. Sim, eu comprei um biscoito gigante e andei com ele pendurado no pescoço bem faceira! Mas todo mundo lá anda. E de roupa típica também. Inclusive no centro. Inclusive os vendedores nas lojas. É mais ou menos como na Semana Farroupilha no Rio Grande do Sul. Tem pra vender os trajes típicos até em lojas de departamento (como se fosse na Renner deles). E as meninas e mulheres andam de tranças e com coroas de flores de plástico no cabelo (fiquei morrendo de vontade de comprar – tem pra vender no parque – mas fiz a conta de quanto as flores custariam em reais e achei que não valia a pena pagar aquilo por plástico. Ahaha. O euro já estava mais de R$ 4. Se não me engano, as flores custavam 12 a 15 euros. Ou seja, uns R$ 60). Ah, para quem comprar garrafa de água na Alemanha: você tem que devolver o casco para ter o dinheiro dele de volta. Ou pagará mais caro. Na Oktober, funciona assim: você paga um euro a mais e fica com um tíquete do lugar. Daí, devolvendo a garrafa, tem esse euro de volta. O problema: se você ficar andando com a garrafa, é muuuuito difícil encontrar o lugar exato para devolver o casco.

Biscoitos em forma de coração típicos da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

Biscoitos em forma de coração típicos da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

Voltando ao funcionamento do parque: são 14 grandes tendas das cervejarias. Na verdade, são construções fixas, com mesas grandes (estilo de festa de colônia) e banheiros. Para entrar, ou você reserva (no caso de grupos) pela internet mesmo com bastante antecedência. Ou chega bem cedo para conseguir entrar. Só nessas tendas se vende cerveja. E só para quem estiver sentado. A cerveja é só em litro e tem preço tabelado. Neste ano, será de 10,40 a 10,70 euros (nas cervejarias do centro, fora da Oktoberfest, você encontra cerveja bem mais barata). Tem comida lá dentro também. E música. Mas, fora das grandes tendas, só dá para comprar comida e água. As tendas mais disputadas são as das cervejarias mais famosas. A da Paulaner, da Hofbrauhaus e da Augustiner. Mas todas são, mais ou menos iguais. Elas também tem um espaço fora da casa da tenda em si com mesas ao ar livre. Mas o mais legal é lá dentro, com a banda. Aliás, sobre bandas: acredite, elas não tocam músicas típicas alemãs. O que toca na Oktoberfest são músicas americanas das antigas. Tipo, Elvis Presley, aquela Sweet Caroline ecoa várias vezes… Só tem uma música alemã que toca a cada cinco minutos: Ein Prosit (ou “um brinde”). O pessoal sobe na mesa pra brindar. Uma festa!

Parque de diversões da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

Parque de diversões da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

O preço de tudo fica inflacionado durante a Oktoberfest. Hotéis, por exemplo, custam umas quatro vezes mais do que em outras épocas do ano. E é tipo carnaval ou Reveillon no Rio, tem gente que já reserva com um ano de antecedência. Ou seja, quanto mais perto da festa, menos opções e mais caras. Então, se você quiser ir, é bom se planejar com vários meses de antecedência. Vários mesmo. Eu reservei com três meses e já não tinha muita opção e estava bem caro.

Essa é uma das tendas de cervejarias da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

Essa é uma das tendas de cervejarias da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

Eu cheguei, propositalmente, para o fim de semana de abertura da Otkoberfest. Isso porque tem duas paradas na rua (de graça para ver também, a menos que você queira ficar sentado em arquibancadas bem no centro). A primeira é no sábado de manhã com os patrões das tendas que saem do centro em desfile em charretes puxadas por cavalos, acompanhados de bandas marciais, para abrir a Oktoberfest no parque de eventos. No fim, a população que está nas ruas assistindo vai atrás. São milhares de pessoas andando em passinho de formiga. Eu fui junto e é muito legal. Ficam pessoas nas janelas dos apartamentos abandando. Muita gente vestida de roupas típicas. E, sim, já estão tomando cerveja desde manhã cedo. No domingo de manhã, também tem um grande desfile de roupas típicas, onde várias das atrações da primeira parada se repetem. É tudo muito mágico e você se sente em épocas passadas ou contos de fadas pelas roupas, flores e adereços nos cavalos. A música fica por conta de muitas bandas, ao estilo marcial. Eu vi as duas e são muito legais. As paradas percorrem vários quilômetros. Eu fiquei numa rua já mais próxima do parque do Otkober. Outras atrações fixas são dois dias para as famílias (com preços mais baratos no parque), uma missa, e uma salva de tiros (essa no encerramento).

Desfile na abertura da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

Desfile na abertura da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

E por que, raios, a Oktoberfest é em setembro? Bom, ela surgiu em outubro, para celebrar um casamento real dos príncipes da Bavária, em 1810. A celebração durou seis dias e se repetiu nos anos seguintes. Depois, virou um festival. Mas, com o tempo, foi antecipada para setembro porque, em outubro, já é muito frio na Alemanha (é outono). Em setembro, ainda é agradável (mas não quente. É bem friozinho já, ao menos para os brasileiros). O festival começa de manhã, às 9h ou 10h, dependendo do dia da semana, e vai até 22h30min. A festa atrai muita gente do mundo inteiro atualmente. Nesse ano, terá uma preocupação extra com segurança. Mochilas e malas ou bolsas maiores estão proibidas. E todos serão revistados na entrada da festa ou na saída do metrô. Isso por causa do atentado terrorista recente que a cidade sofreu num shopping (que fica longe da área do festival). E a própria Oktoberfest foi alvo de terroristas no ano de 1980, quando 12 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas.

Desfile no primeiro domingo da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

Desfile no primeiro domingo da Oktoberfest de Munique, na Alemanha. Foto: Kelly Pelisser

Mas, esperamos que tudo dê certo nessa que é uma das maiores festas populares do mundo. Definitivamente, é uma das atrações praquela lista de coisas que devemos fazer uma vez na vida, ao menos, se possível.

 

Mais: site em inglês http://www.oktoberfest.de/en/

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Como procurar hotéis em cidades desconhecidas

como procurar hotel ou hostel em cidades desconhecidas

Reprodução, Hostelworld3030

Vou estrear hoje um espaço de dicas na hora de turistar por aí. Começo falando sobre como tento encontrar um hotel numa localização legal e num preço camarada em uma cidade onde nunca coloquei os pés antes.  Bom, normalmente, eu primeiro faço uma cotação com agência de viagem. Na maioria das vezes, são mais caras do que buscar na internet, mas, eventualmente, pode haver alguma promoção. Se eu conheço alguém que mora ou já visitou aquela cidade, pergunto para a pessoa sobre bairros bacanas. Para mim, sempre é interessante que o hotel tenha uma boa localização, que permita fazer a pé boa parte das atrações turísticas, e que esteja perto do transporte coletivo (para chegar a partir do aeroporto e também visitar pontos mais distantes).

Primeiro passo é procurar em sites de buscas de hotéis. Tem vários hoje, inclusive que comparam entre sites. Eu costumo ir de basiquinho mesmo. Se for hotel, busco no Booking.com. Se for hostel, no Hostelworld (gosto muito deles porque tem um espaço para a descrição de como chegar no hostel utilizando transporte público. Algumas não são muito completas – são preenchidas pelos donos – mas sempre deu certo). Nunca tive problema com nenhum dos dois. Filtro pelo preço e aí vou olhando as avaliações dos outros usuários. Eu costumo ordenar as avaliações da pior para a melhor, para primeiro olhar quais são as maiores reclamações a respeito daquele lugar. Assim, é mais fácil descartar, de acordo com o que você não suporta. Por exemplo, quarto pequeno é ok até, mas quarto com percevejos e pulgas na cama, não (em Veneza, tem vários com esses relatos, afinal, os prédios são muito velhos).

Mas como saber se o endereço é bacana: primeiro, busco vários lugares que quero visitar naquela cidade para ver se são longe dali. Faço a comparação no Maps do Google. No mapa, também olho se há pontos de ônibus ou metrô perto, e ainda supermercados ou restaurantes (opções para comer perto sempre são interessantes, especialmente quando você chega de noite cansado no hotel de tanto bater perna e não tem vontade de ir pra longe jantar). Olho pela imagem do Google Earth também como é a rua e o prédio do hotel, para ver se não é trash demais ou bem diferente da foto da propaganda deles. Dou uma olhada depois no site do hotel ou hostel. Sempre pode ter alguma informação adicional para ajudar na decisão.  Outra dica é dar um Google para ver quais são os bairros bacanas, descolados do lugar. Às vezes, não são tão perto das atrações, mas tem uma atmosfera boa, que vale a pena ficar. Nem sempre o centro é a melhor opção. Em várias cidades, o centro é um lugar degradado e com uma criminalidade mais alta do que em outros pontos. Por exemplo, em Paris, fiquei em Montmartre, em Roma, uma vez fiquei em Trastevere, em Praga, em Mala Strana. Gostei muito de todos. Nenhum é central, mas não são longe também. Já em Buenos Aires, fiquei bem no centro, perto do Obelisco, e não gostei. Preferia ter ficado na Recoleta ou Palermo, por exemplo, que tem locais mais agradáveis.

Ah, nunca tentei Airbnb. Vocês já? E como escolhem hotéis quando vão para algum lugar que nunca estiveram antes? Conta aí.

Vídeo: Conhecendo Howth, em Dublin, na Irlanda

Viagem ao Exterior é só glamour, né? Bem longe disso! Nesse vídeo, vocês me veem no ventão gelado, fungando e morrendo de medo de altura em Howth, um porto lindo pertinho de Dublin, na Irlanda, na Europa. Gravei em 2011, quando eu morava por lá.

Vídeo: Principais atrações de Dublin, na Irlanda

Morei em Dublin, na Irlanda, em 2011. Esse vídeo eu fiz naquela época mostrando as principais atrações da área central da cidade. Achei que vale resgatar. Só, por favor, relevem o vento. Gravei com uma camerazinha comum. E venta demais em Dublin, em qualquer estação. Se não chover e ventar, não é Dublin. 🙂

Pretendo fazer vídeos novos de atrações no Brasil e ir postando aqui no blog.

Zoológico de Lujan, na Argentina

Escrevi esse texto originalmente em outubro de 2013, quando visitei o Zoológico de Lujan, na Argentina. É uma experiência controversa e ainda hoje fico com o coração dividido de lembrar. Afinal, pense em animais selvagens presos em jaulas, com centenas de pessoas passando as mãos neles todos os dias. Estranho, no mínimo.

Zoológico de Lujan. Foto: arquivo pessoal

Zoológico de Lujan. Foto: arquivo pessoal

Visitar o Zoológico de Luján é uma experiência muito louca. Isso porque você pode entrar nas jaulas de bichos como tigres e leões. No zoo, te contam a seguinte história: desde filhotes, os animais são criados junto com cachorros, por isso, eles crescem repetindo o comportamento de bichos de estimação. Os cachorros também são treinados para morder os felinos no focinho (a parte mais sensível deles) quando dão patadas mais fortes ou tentam atacar. Assim, eles aprendem que não devem fazer isso. Well, até faz sentido, mas é muito louco estar numa jaula com dois ou três tigres. Enquanto você passa a mão em um, o outro está andando atrás de você. Sim, dá medo. É inevitável pensar: “o outro vai me atacar pelas costas!” Porque, reflita: ok, eles foram criados com cachorros (aliás, os cães estão nas jaulas junto com eles), mas são animais selvagens e também há o estresse de milhares de pessoas passando a mão todos os dias. Eu pensava também naquelas histórias de cães rottweilers criados desde pequenos por um família e, de repente, o cachorro ataca e mata alguém. A família sempre diz: “mas era tão mansinho. Nunca tinha feito nada.” Pois é. Sempre tem um dia em que ele faz. Tem gente que diz que os animais do zoo são sedados. Mas, claro, a direção nega. Sei lá, é meio estranho. Mas, abstraí tudo isso e fui lá.

O zoo fica em uma rodovia na cidade de Luján (a uns 80 quilômetros do Centro de Buenos Aires). O ingresso custa 400 pesos (uns R$ 100, se o site estiver atualizado em 2016). Eu fui com uma excursão com guia, que te busca e te leva no hotel. Paguei quase o dobro do preço do ingresso pelo pacote, mas gostei. Já está incluído algumas coisas que te cobram a mais no zoo, além do ingresso, e a guia faz fotos suas com uma máquina dela e depois posta no Facebook do tour, o que te permite baixar as imagens. Quem tiver interesse, o nome é Superguias. Com a van deles, a viagem demora uns 40 minutos. Outras opções mais baratas, são o ônibus 57, que você pega na Plaza Itália (lembrando: pagamento só em moedas), mas aí tem que avisar o motorista e descer no meio da rodovia (mas o zoo fica logo pra dentro). Com esse ônibus, a viagem dura duas horas. Ou também há vans da empresa Fabebus, que vão até Luján. Também tem que pedir para o motorista para descer no meio da estrada. Nessa opção, a viagem dura uma hora.

Zoológico de Lujan. Foto arquivo pessoal

Zoológico de Lujan. Foto arquivo pessoal

Nas jaulas dos bichos mais perigosos, há duas grades. Entram por vez de duas a quatro pessoas. Você entra na primeira, eles trancam. Aí, você deixa bolsas e qualquer coisa que leve na mão e também correntes e brincos. Só dá para levar a máquina fotográfica. Depois, eles abrem a segunda porta e você entra onde estão os bichos. Dá medo. Os leões pareciam bem tranquilos, mas os tigres estavam agitados. Na jaula onde tem um tigre branco e outro listrado, esse segundo pegou com a boca a térmica de água quente do tratador que estava tomando mate e saiu correndo. O tratador atirou um objeto contra a grade para que o animal soltasse a térmica. Tenso! Na outra, onde estavam três tigres, um franguinho solto pelo zoo teimava em querer ficar no espaço entre as duas portas da jaula. Os tigres ficaram bem loucos, querendo pegar o frango. E eu lá dentro da jaula junto com eles! Um passou correndo bem ao meu lado, me encostou na perna. Gelei! E os treinadores não pareciam confortáveis com a situação. Mas, enfim, nada aconteceu. Toda hora, os tratadores ficam dando carne na boca dos bichos. Há também algumas orientações. Para passar a mão, só se for bem firme e não na cabeça nem perto do rabo, apenas nas costas. Crianças não entram nas jaulas dos felinos.

Além de entrar nas jaulas dos bebês leões ( uma graça! Parecem gatos grandes), dos tigres (são duas jaulas, uma com um branco e um tigrado e outra com três tigrados) e dos leões (dois em uma jaula), é possível alimentar um elefante com uma cenoura ou fruta. A orientação é só ficar de costas e a mão erguida para ele não passar a tromba na sua cara. Para dar comida aos ursos, tem que pagar cinco pesos (no pacote que eu contratei, já estava incluído). Você recebe marrom-glacê, biscoitinhos, para colocar na ponta de uma vara. Você fica do outro lado de uma grade, não dá para chegar perto dos ursos, apesar de eles terem recebido a mesma criação que os leões, junto com cães. Outra atração é andar de dromedário. Podem subir duas pessoas por vez. Mas me deu pena dos bichos. A vida deles é andar em círculos carregando pessoas nas costas.

O zoo não é tão grande. Também tem ovelhas, cervos, veados, emas, macacos, foca, leão marinho, galinhas e pavões (incluindo um branco, que eu nem sabia que existia). Não são permitidas fotos da cobras, araras e iguanas. Isso porque, se você quiser, o pessoal do zoo coloca esses animais nas suas mãos, mas cobram pelas fotos. Claro.

Eu fui num dia de semana e bem no início da manhã. O movimento estava bem tranqüilo. Mas, dependendo do dia e horário em que você for, pode ter fila de horas para fazer fotos com o leão ou tigres.